Especialista em gastroparesia | Dra. Sabrina Figueiredo
Por que o estômago lento exige investigar a causa antes de escolher o remédio para o enjoo.
“Recebo pessoas com anos de enjoo e saciedade precoce (estômago cheio com pouca comida) tratadas como gastrite. Quando peço a cintilografia de esvaziamento gástrico (exame que cronometra a digestão), o atraso aparece.”— Dra. Sabrina de Figueiredo
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- Membro da European Crohn’s and Colitis Organisation (ECCO) · Membro do Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal do Brasil (GEDIIB)
- Gastroenterologia

No consultório, pergunto o que mudou quando o enjoo começou: remédio novo, cirurgia recente ou glicose descontrolada. A resposta muda o exame que peço e o tratamento que discutimos depois.— Dra. Sabrina de Figueiredo
Passo a passo
- 1Primeira consultaA médica revisa sintomas, remédios em uso, cirurgias anteriores e controle da glicose para listar as causas possíveis.
- 2Endoscopia primeiroA endoscopia afasta úlcera, tumor ou estreitamento na saída do estômago antes de qualquer exame de esvaziamento.
- 3CintilografiaVocê come uma refeição com marcador (substância visível na câmera), e imagens por quatro horas medem o alimento retido.
- 4Plano de cuidadoCom o atraso confirmado e a causa definida, o plano combina alimentação, revisão dos remédios e controle dessa causa.
- 5ReavaliaçãoNo retorno, o diário de sintomas, o peso e a glicose mostram se o plano precisa de ajuste.
Especialista em gastroparesia: qual médico procurar primeiro
Gastroenterologista geral ou médico de motilidade digestiva
A motilidade digestiva (forma como o tubo digestivo se contrai e empurra o alimento) é uma área dentro da gastroenterologia. O médico que atua nela trabalha com exames de função, como a manometria (exame que mede a pressão das contrações). Esse olhar ajuda quando o atraso do estômago vem junto com alterações no esôfago ou no intestino.Quem mais participa do cuidado
O especialista em gastroparesia costuma dividir o cuidado com o endocrinologista (médico dos hormônios e do diabetes) na gastroparesia diabética. O nutricionista completa a equipe, ajustando o tamanho e a textura das refeições ao ritmo do estômago.Percebemos que muita gente chega depois de passar por vários médicos, cada um tratando um sintoma isolado. O ponto de partida indicado é um gastroenterologista com título reconhecido pela Federação Brasileira de Gastroenterologia. Comida que trava ao descer pede outra investigação, descrita no texto quando procurar avaliação de disfagia (dificuldade de engolir).O que acontece no estômago de quem tem gastroparesia
Os nervos e as células que comandam o estômago
As contrações dependem do nervo vago (nervo que liga o cérebro ao estômago), que dá o comando para o músculo trabalhar. No músculo, as células de Cajal (células que ditam o ritmo, como um marca-passo) organizam as ondas em sequência. Quando o nervo ou essas células se danificam, o estômago perde força e ritmo.O piloro (anel muscular na saída do estômago) às vezes perde a coordenação e não relaxa no momento certo. A comida chega até a saída, mas passa aos poucos.Por que o nervo e o músculo se alteram
No diabetes, a glicose alta por anos lesa os nervos, quadro chamado neuropatia diabética (dano aos nervos causado pelo açúcar no sangue). Cirurgias no esôfago ou no estômago podem atingir o nervo vago, e algumas infecções virais deixam o estômago lento por meses. Em parte dos casos, nenhuma causa aparece, e o quadro recebe o nome de gastroparesia idiopática (sem causa identificada).O especialista em gastroparesia procura essas causas porque cada uma pede tratamento diferente, como resume a revisão da Cleveland Clinic. A gastroparesia pós-viral costuma melhorar aos poucos com o tempo, enquanto a ligada ao diabetes acompanha o controle da glicose.
Sintomas que levantam a suspeita de gastroparesia
Saciedade precoce e estufamento
Na saciedade precoce, a pessoa se sente cheia com poucas garfadas e deixa metade do prato. O estufamento (barriga inchada e tensa) aparece na parte de cima do abdome e dura horas após a refeição. Arrotos frequentes e dor abdominal leve podem acompanhar o quadro.Sintomas parecidos com outras doenças
Dor forte em queimação na boca do estômago, que melhora ou piora com o jejum, lembra mais úlcera. Nesse caso, a investigação segue o caminho descrito em avaliação da úlcera duodenal em São Paulo. Azia e queimação que sobe pelo peito apontam para refluxo (volta do ácido para o esôfago).A dispepsia funcional (desconforto digestivo sem lesão visível) provoca queixas muito parecidas com as da gastroparesia. O exame de esvaziamento ajuda a separar os dois quadros. O especialista em gastroparesia também registra a intensidade de cada sintoma, para comparar a evolução nos retornos.Esta seção foi revisada contra Gastroparesia MedlinePlus enciclopedia médica.Diabetes, cirurgias e remédios: as causas mais comuns
Cirurgias que atingem o nervo vago
Operações no esôfago e na parte alta do estômago podem lesar o nervo vago sem intenção. Entram nessa lista a fundoplicatura (cirurgia contra o refluxo que envolve o fim do esôfago com o estômago). Também entra a vagotomia (corte do nervo vago), usada no passado contra a úlcera.Hoje a úlcera é tratada de outro jeito, descrito em avaliação da úlcera gástrica em São Paulo.Remédios que deixam o estômago lento
Os opioides, como morfina, tramadol e codeína, estão entre os remédios que mais atrasam o esvaziamento. Os agonistas de GLP-1 (remédios para diabetes e obesidade, como semaglutida e liraglutida) agem no mesmo sentido. Alguns antidepressivos antigos e remédios para bexiga hiperativa também podem contribuir.O atraso causado por remédio tende a diminuir quando a medicação sai de uso, diferente do dano ao nervo.Outras doenças e a gastroparesia idiopática
Hipotireoidismo (tireoide que produz pouco hormônio), doença de Parkinson e esclerodermia (doença que endurece pele e órgãos) também podem lentificar o estômago. Quando nenhuma causa aparece nos exames, o nome usado é gastroparesia idiopática, e o diagnóstico segue válido. O especialista em gastroparesia trata os sintomas e repete a busca se surgir um sinal novo.Para escrever esta parte consultamos Gastroparesia MedlinePlus enciclopedia médica.Exames que confirmam o diagnóstico
Endoscopia, imagem e exames de sangue
Na endoscopia (exame que avalia esôfago, estômago), a presença de comida retida depois do jejum já levanta a suspeita de estômago lento. O mesmo exame mostra úlcera, estreitamento do piloro e inflamação, tema do texto sobre como se avalia a gastrite.Quando a endoscopia é normal e o vômito persiste, a tomografia (imagem em cortes do abdome) procura bloqueio no intestino delgado. Exames de sangue medem glicose, função da tireoide e sais do corpo, que caem com vômitos repetidos.Testes que medem o esvaziamento
A cintilografia de esvaziamento gástrico é a referência para confirmar o atraso. O laudo compara a porcentagem de alimento retido em cada hora com os valores normais do método.O teste respiratório com carbono-13 (análise do ar expirado depois de uma refeição marcada) estima a mesma velocidade sem radiação. A cápsula de motilidade sem fio (cápsula engolida que registra pressão e acidez) mede o trânsito do estômago e do intestino. Os dois têm oferta mais restrita no Brasil que a cintilografia.Com o atraso medido e a obstrução afastada, o especialista em gastroparesia junta o resultado à causa provável para fechar o diagnóstico.A conduta descrita aqui se apoia em Gastroparesia MedlinePlus enciclopedia médica.Alimentação, controle da glicose e medicamentos no tratamento
Como comer com o estômago lento
Refeições pequenas, feitas várias vezes ao dia, passam pelo estômago com mais facilidade que três pratos cheios. Gordura e fibra dura, como casca de fruta, bagaço e verdura crua, demoram mais a sair e aumentam o estufamento. Ficar sentado após comer reduz o refluxo gastroesofágico (retorno do conteúdo do estômago para o esôfago), tema do especialista em refluxo.Quando o sólido não desce, purês, sopas batidas e vitaminas esvaziam mais rápido, porque o estômago não precisa triturar. O nutricionista monta o cardápio de cada fase para evitar perda de peso.Glicose sob controle
Em quem tem diabetes, a hipoglicemia (açúcar baixo no sangue) aparece após a refeição, porque a insulina age antes da comida. O sensor contínuo de glicose (adesivo no braço que mede o açúcar) mostra quedas e picos ligados à digestão lenta. Com esses dados, endocrinologista e gastroenterologista acertam juntos o horário da insulina.Remédios para náusea e para o esvaziamento
Os procinéticos (remédios que aumentam as contrações do estômago), como metoclopramida e domperidona, ajudam a comida a sair. O especialista em gastroparesia acompanha cada remédio nos retornos, porque a metoclopramida pode causar tremores com uso prolongado. Vômitos repetidos ferem o esôfago, quadro descrito na avaliação da esofagite de refluxo (inflamação do esôfago).Os antieméticos (remédios contra enjoo), como a ondansetrona, aliviam a náusea sem acelerar o estômago. Eles ajudam nas fases de piora, quando o enjoo impede de comer e beber.Esta seção foi revisada contra Gastroparesia MedlinePlus enciclopedia médica.Quando o caso pede procedimentos ou suporte nutricional
Suporte nutricional por sonda
Perda de peso, desidratação e vômitos que impedem comer levam a discutir a nutrição enteral (alimento líquido dado por sonda). A sonda de jejunostomia (tubo que leva o alimento direto ao intestino) passa por fora do estômago lento. Costuma começar com uma sonda pelo nariz, como teste, antes de um tubo pela pele do abdome.Estimulação elétrica gástrica
O estimulador elétrico gástrico (aparelho implantado que envia pulsos ao estômago) é colocado por cirurgia sob a pele do abdome. Ele reduz náusea e vômito em parte das pessoas, mais quando há diabetes, e pouco acelera o esvaziamento. A oferta do aparelho no Brasil é limitada a poucos centros.Procedimentos no piloro
Quando o piloro não relaxa, a toxina botulínica (substância que relaxa o músculo) aplicada por endoscopia tem resultado irregular nos estudos. A G-POEM (corte do músculo do piloro feito por endoscopia) é a opção mais nova e ainda passa por avaliação. Antes de mexer no piloro, a equipe afasta estreitamento por cicatriz, tema da avaliação da úlcera duodenal.O especialista em gastroparesia discute cada opção com cirurgião, endoscopista e nutricionista, conforme a causa, o peso e a glicose. Pelo convênio, a autorização cobre a internação hospitalar; o aluguel do equipamento e os honorários médicos podem ser cobrados à parte.Esta orientação acompanha Gastroparesia MedlinePlus enciclopedia médica, fonte consultada para esta seção.Como avaliar a experiência do médico e preparar a consulta
No SUS e na rede privada
No SUS, o caminho começa na UBS (Unidade Básica de Saúde), que encaminha ao gastroenterologista pela regulação (fila que organiza as vagas). Hospitais universitários costumam ter ambulatórios de motilidade digestiva, com acesso à cintilografia. A espera pode ser longa, e o relato detalhado do clínico da UBS ajuda a priorizar o pedido.Na rede privada, o convênio lista gastroenterologistas credenciados, mas a lista não informa quem acompanha estômago lento. Na consulta particular, o valor varia conforme a duração e a região, tema do texto sobre preço da consulta gastro particular. Ao agendar, vale perguntar quais exames de esvaziamento o médico costuma pedir e onde eles são feitos.O que levar à primeira consulta
O relatório de cirurgias anteriores no esôfago ou no estômago mostra se o nervo vago pode ter sido atingido. Quem usa sensor de glicose pode imprimir as últimas semanas de leituras. Exames de sangue recentes e uma cintilografia já feita, com o laudo completo, evitam repetir testes.Anote também o peso de seis meses atrás e a data em que começou cada remédio novo. Com essas datas, o especialista em gastroparesia relaciona o início dos sintomas a uma causa provável. Cicatriz de úlcera antiga também retém comida, e o laudo dela ajuda, como mostra o especialista em úlcera gástrica.Sinais de alarme que exigem atendimento imediato
Vômitos e desidratação
Vômitos que impedem manter água ou remédio no estômago por mais de um dia levam à desidratação (falta de água no corpo). Boca seca, urina escura e escassa, tontura ao levantar e fraqueza são os sinais dela. Com o vômito, o corpo também perde potássio, e a falta dele causa câimbras e alteração no ritmo do coração.Perda de peso, sangue e dor forte
Perder peso sem querer, sobretudo vários quilos em poucas semanas, mostra que o corpo não recebe o suficiente. Vômito com sangue ou com aspecto de borra de café indica sangramento no estômago ou no esôfago. Dor abdominal forte, barriga dura e parada de gases sugerem obstrução (bloqueio na passagem do alimento), que não é gastroparesia.Quem tem diabetes
Em quem tem diabetes, vomitar sem conseguir comer desequilibra a glicose nos dois sentidos. A insulina sem comida provoca hipoglicemia. Glicose muito alta com vômito pode indicar cetoacidose (acúmulo de ácidos no sangue por falta de insulina).Confusão, sonolência, desmaio ou respiração acelerada levam ao pronto-socorro no mesmo dia, sem esperar o retorno com o especialista em gastroparesia. Leve à emergência a lista de remédios e as últimas leituras de glicose.A Dra. Sabrina de Figueiredo, de Gastroenterologia, atende no Instituto Medicina em Foco e acompanha o estômago lento. Agende a consulta e conheça a avaliação da infecção por Helicobacter pylori (bactéria do estômago).Agende sua avaliação com Dra. Sabrina de Figueiredo
Consulta com Dra. Sabrina de Figueiredo, Gastroenterologia, no corpo clínico do Instituto Medicina em Foco, em São Paulo.
Agende sua avaliação com Dr. SabrinaLigar agora




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