Fratura transtrocantérica em idoso: como é a cirurgia
Da fixação do osso ao primeiro passo: o que acontece nas horas que definem a recuperação após a queda.
“Quando a fratura perto do quadril é operada cedo, a pessoa muitas vezes fica de pé no dia seguinte. O que mais vejo atrasar esse primeiro passo é a espera de dias na cama.”— Dr. Paulo Afonso
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- Universidade de São Paulo (USP)
- IAMSPE
- Título de Especialista pela SBOT (Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia)
- Sociedade Brasileira do Quadril
- Hospital das Clínicas da FMUSP, Hospital IAMSPE, Instituto Medicina em Foco
- Ortopedia e Traumatologia

No consultório, a primeira pergunta da família após a queda costuma ser quando a pessoa volta a andar. Minha resposta começa pelo plano da cirurgia e das primeiras horas depois dela.— Dr. Paulo Afonso
Passo a passo
- 1Pronto-socorroO raio X do quadril confirma o traço da quebra, e a dor é controlada com remédios na veia ainda na emergência.
- 2Avaliação clínicaClínico e anestesista revisam exames de sangue, eletrocardiograma (registro elétrico do coração) e remédios de uso contínuo antes da operação.
- 3Centro cirúrgicoNa mesa cirúrgica, o fêmur é alinhado sob radioscopia (raio X em tempo real) antes da fixação com o implante de metal.
- 4Primeiro levantarCom a dor controlada, o fisioterapeuta ajuda a sentar na beira da cama e a dar os primeiros passos com andador.
- 5Alta hospitalarA família recebe orientações sobre curativo, prevenção de trombose e adaptação do banheiro antes de levar a pessoa para casa.
- 6ReavaliaçãoNo retorno, o raio X acompanha a consolidação (colagem do osso), e a investigação da osteoporose entra no plano de cuidado.
Fratura transtrocantérica em idoso: como é a cirurgia e por que ela quase sempre é indicada
Por que o repouso prolongado na cama costuma piorar o quadro
Sem se mexer, o corpo fica exposto a pneumonia (infecção do pulmão) e trombose venosa profunda. Na pele surge a lesão por pressão (ferida causada pelo peso do corpo parado no mesmo ponto). Também aparecem infecção urinária e delirium (confusão mental súbita), que atrapalham a volta para casa.A dor do quadril quebrado também impede sentar e trocar de posição sem ajuda. Quem passa semanas assim costuma não recuperar a independência de antes, assunto do texto sobre quando a pessoa idosa para de andar.Como a fixação devolve o apoio da perna
A orientação da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia é operar essa quebra assim que a pessoa estiver clinicamente estável. A haste cefalomedular (barra de metal dentro do fêmur com um parafuso até a cabeça do osso) segura o traço. Com o osso estável, o apoio do pé no chão costuma ser liberado logo nos primeiros dias.A decisão final reúne ortopedista, clínico e anestesista, que avaliam coração, pulmões e remédios de cada pessoa. A conversa com a família inclui o estado de saúde anterior à queda. Isso porque ele pesa tanto quanto o próprio raio X.Prótese ou fixação: o que é colocado no osso
Haste ou placa: como o traço da quebra pesa na escolha
Quando a parede lateral (casca externa do fêmur abaixo da quebra) está inteira, o DHS e a haste têm resultados parecidos. Em traços instáveis, com muitos fragmentos ou obliquidade reversa (quebra inclinada no sentido contrário ao habitual), a haste resiste melhor. Isso acontece porque ela fica dentro do canal do osso, mais perto do eixo do peso do corpo.No DHS, o parafuso desliza dentro da placa e deixa a quebra se compactar quando o pé apoia no chão.Quando a prótese entra no plano
A artroplastia (troca da articulação por peças artificiais) entra quando o quadril já tinha artrose (desgaste da cartilagem) avançada. Também é opção quando o osso está fragmentado demais para segurar o metal, ou quando uma fixação anterior falhou. Esses critérios constam em revisões indexadas no PubMed.Nesses casos, a cirurgia se parece com a descrita no passo a passo da prótese de quadril.Por que a quebra do colo do fêmur segue outra lógica
No colo do fêmur, logo acima da região trocantérica, o sangue chega com mais dificuldade à cabeça do osso. Essa diferença de circulação muda o raciocínio cirúrgico entre as duas regiões. Em pessoas jovens, como no caso da fratura por estresse no colo do fêmur, o objetivo é preservar a cabeça do osso.Na transtrocantérica, a cabeça do fêmur costuma continuar viva, o que favorece manter a articulação original.
Haste no canal do fêmur ou placa com parafuso deslizante: como o ortopedista escolhe
Quando o osso frágil muda o plano
Na osteoporose (perda de massa e resistência óssea) avançada, o parafuso da cabeça do fêmur tem menos osso firme onde se apoiar. O risco é o cut-out (quando o parafuso corta o osso e escapa pela cabeça do fêmur). A posição do parafuso, bem centrado e perto do topo da cabeça, pesa tanto quanto a escolha do implante.Em osso muito frágil, existe a opção de cimento ósseo (material que endurece e reforça a fixação) ao redor do parafuso. Se a fixação falha ou o osso não cola, o plano muda, tema do texto sobre fratura do fêmur que não colou.O que o desenho da quebra pede
No traço estável de duas partes, o DHS (placa presa na lateral do fêmur) pede um corte um pouco maior na coxa. A haste cefalomedular (barra dentro do fêmur com parafuso até a cabeça) entra por incisões menores, perto do quadril. A experiência do cirurgião com cada implante também entra na decisão, junto com a saúde geral da pessoa.Quando o traço desce para a região subtrocantérica (trecho do fêmur logo abaixo dos trocanteres), a haste longa costuma ser a escolha. Ela ocupa o canal do osso em quase todo o comprimento e reduz o risco de nova quebra abaixo do implante. Quebras um pouco mais acima, no colo, seguem outra lógica, explicada em prótese ou parafuso no colo do fêmur.Da chegada ao hospital até o centro cirúrgico: o que precisa ser ajustado antes de operar
Os desequilíbrios que justificam adiar por algumas horas
A anemia (falta de glóbulos vermelhos no sangue) pode piorar com o sangramento da própria fratura e da operação. Quando a hemoglobina (proteína que leva oxigênio no sangue) está muito baixa, a transfusão costuma vir antes da anestesia. Sódio e potássio alterados, comuns com diurético (remédio que elimina líquido pela urina), também são corrigidos pela veia.No coração, a equipe procura sinais de insuficiência cardíaca descompensada (coração que não dá conta de bombear o sangue). A fibrilação atrial (batimento irregular) muito acelerada e a glicose muito alta também pedem algumas horas de ajuste. O ecocardiograma (ultrassom do coração) entra quando há sopro ou falta de ar recente, sem atrasar casos estáveis.Remédios que afinam o sangue e o tempo de espera
Com a varfarina, o exame de INR (tempo que o sangue leva para coagular) mostra se a anestesia raquidiana já é segura. Quando o valor está alto, a vitamina K na veia costuma trazê-lo ao alvo em algumas horas. Com apixabana ou rivaroxabana, a equipe conta as horas desde o último comprimido e confere a função dos rins.O AAS (aspirina) usado para o coração costuma ser mantido e, sozinho, não adia a operação. Quando a espera passa de dois dias, a família pode perguntar à equipe qual ajuste ainda falta e qual é o plano.O que acontece dentro da sala de cirurgia, etapa por etapa
Na mesa de tração, o osso volta ao lugar
A pessoa fica deitada de barriga para cima numa mesa de tração (mesa que puxa a perna e a mantém firme). O cirurgião gira e puxa a perna até os fragmentos se encaixarem, sem abrir o local da quebra. A radioscopia (raio X em tempo real) confirma o alinhamento em duas direções antes de qualquer corte.Quando o encaixe por fora não basta, um pequeno corte permite empurrar o fragmento com instrumentos até a posição certa. Fixar com o osso desalinhado aumenta o risco de a fixação soltar depois.Como a haste ou a placa é presa ao fêmur
Com a haste cefalomedular (barra de metal dentro do fêmur), o cirurgião faz um corte de poucos centímetros na lateral do quadril. A haste desce pelo canal do osso guiada por um fio-guia (fio fino de metal que marca o trajeto). Depois, um parafuso atravessa a haste até o centro da cabeça do fêmur, conferido de novo pela radioscopia.No DHS (placa presa na lateral do fêmur), o corte na coxa é maior, porque a placa fica apoiada no osso. A ferida é fechada com pontos ou grampos e coberta por curativo. Da sala, a pessoa segue para a recuperação anestésica, onde a sensibilidade das pernas volta aos poucos.Quando a prótese entra no plano, a liberação segue regras explicadas em autorização da prótese de quadril pela Cassi. Na mesma conversa, vale perguntar quais honorários médicos podem ser cobrados à parte.A conduta descrita aqui se apoia em material de referência clínica.Riscos da operação e da internação em quem já tem idade avançada
Confusão mental nos primeiros dias
O delirium aparece de forma súbita e oscila ao longo do dia, com fases de agitação e fases de sonolência. Dor mal controlada, desidratação, infecção, falta de óculos e aparelho auditivo e certos remédios para dormir aumentam o risco. A presença de um familiar conhecido, o relógio à vista e a luz do dia ajudam a pessoa a se orientar.Trombose e embolia pulmonar
A trombose venosa profunda forma um coágulo nas veias da perna operada, que fica inchada e dolorida. O perigo é a embolia pulmonar (coágulo que se solta e entope uma artéria do pulmão), que causa falta de ar súbita.A prevenção combina anticoagulante injetado na barriga, meias elásticas de compressão e levantar da cama cedo. O remédio costuma seguir por algumas semanas após a alta, prazo definido pelo cirurgião conforme o caso. Quebras do acetábulo (encaixe do quadril na bacia) seguem cuidado parecido, explicado em quando a fratura do acetábulo precisa operar.Pulmão, bexiga e pele
A pneumonia ganha espaço quando a pessoa respira curto por dor e passa muitas horas deitada. Sentar na poltrona e os exercícios com o incentivador respiratório (aparelho que treina a respiração profunda) ajudam a evitá-la. Engasgos ao comer também levam alimento ao pulmão, por isso a refeição é feita sentada.A sonda vesical (tubo que esvazia a bexiga) aumenta o risco de infecção urinária e costuma sair assim que possível. Na pele, a lesão por pressão surge nos calcanhares e no sacro (osso no fim da coluna). Mudar de posição a cada poucas horas e usar colchão especial reduzem esse dano.A conduta descrita aqui se apoia em material de referência clínica.Os primeiros dias depois da cirurgia: sentar, levantar e apoiar o pé
Do sentar na beira da cama ao andador
O fisioterapeuta começa pelo sentar na beira da cama, com os pés apoiados no chão por alguns minutos. A hipotensão postural (queda da pressão ao ficar de pé) pode causar tontura nesse momento. Depois vêm a transferência para a poltrona e os primeiros passos com andador.Na maior parte dos casos, o cirurgião libera carga conforme tolerância (apoiar no chão o peso que a dor permitir). Em osso muito frágil ou traço com muitos fragmentos, o apoio pode ser parcial nas primeiras semanas. Dor que volta a piorar pede reavaliação, assim como os sinais de infecção na ferida operada.O que ajuda a pessoa a levantar nos dias seguintes
A equipe costuma programar o analgésico (remédio para dor) para pouco antes da sessão de fisioterapia. Chinelo fechado com sola firme e roupa confortável deixam o levantar mais seguro. A família pode ajudar estimulando a pessoa a fazer sozinha o que já consegue, como virar na cama.Na alta, o objetivo é andar curtas distâncias com andador e ir ao banheiro com ajuda. A posição na cama durante a noite também pede cuidado, assunto do texto sobre posições para dormir após operar o quadril.A conduta descrita aqui se apoia em Hip fracture surgery MedlinePlus Medical Encyclopedia.Em casa após a alta: cuidados diários e sinais de alerta
Cuidados diários com a ferida, o banho e a casa
O curativo costuma ficar seco e limpo, trocado conforme a orientação recebida no hospital. Banho de chuveiro em cadeira de banho, com a ferida protegida, reduz o risco de escorregar. Tapetes soltos, fios no chão e pouca luz à noite estão entre as causas frequentes de nova queda dentro de casa.Cadeira firme com braços e assento mais alto facilita levantar sem forçar o quadril. Elevador de vaso sanitário (assento que aumenta a altura da privada) e barras de apoio no box completam a adaptação.Sinais que pedem atendimento com urgência
Falta de ar súbita, dor no peito ou tosse com sangue podem indicar embolia pulmonar e pedem pronto-socorro na hora. Delirium que aparece em casa, febre ou ferida com pus também pedem avaliação no mesmo dia. Se o problema exigir nova operação e a família hesitar, vale ler quando a pessoa idosa não quer operar.Panturrilha inchada, quente e dolorida sugere trombose venosa profunda na perna operada. Perna mais curta ou girada para fora, com dor forte ao apoiar, aponta soltura do implante ou nova quebra. Bolhas ou manchas roxas nos calcanhares e no sacro marcam o começo da lesão por pressão.A conduta descrita aqui se apoia em material de referência clínica.Como reduzir a chance de uma nova queda e de outra fratura
Tratar a osteoporose que a fratura revelou
A densitometria óssea (raio X que mede a densidade do osso) e o exame de vitamina D dimensionam a perda. Os bisfosfonatos (remédios que freiam o desgaste do osso) e o denosumabe (injeção com efeito parecido) estão entre as opções. A escolha cabe ao médico que acompanha a pessoa, conforme rins, estômago e outros remédios em uso.Força muscular e remédios que causam tontura
Fraqueza nas coxas e pouco equilíbrio aumentam o risco de cair, e a fisioterapia segue por meses após a alta. Exercícios de levantar da cadeira, subir degraus e apoiar num pé só reconstroem a musculatura do quadril. Proteína suficiente nas refeições ajuda o músculo a responder ao treino.Calmantes, remédios para dormir e alguns anti-hipertensivos (remédios para pressão alta) causam tontura e queda de pressão ao levantar. Na revisão da receita, o clínico avalia o que pode ser reduzido, trocado ou suspenso.Visão, escadas e objetos ao alcance
Corrimão nos dois lados da escada, objetos de uso diário na altura das mãos e calçado fechado diminuem os tropeços. Óculos com grau atualizado completam essa revisão, porque enxergar mal o degrau também derruba.Uma nova queda pode quebrar o colo do fêmur, tema do texto sobre escolha entre prótese e parafuso nessa região. Para agendar o retorno e montar o plano contra nova fratura, procure o Dr. Paulo Afonso, de Ortopedia e Traumatologia. O atendimento acontece no Instituto Medicina em Foco, em São Paulo.Agende sua avaliação com Dr. Paulo Afonso
Consulta com Dr. Paulo Afonso, Ortopedia e Traumatologia, no corpo clínico do Instituto Medicina em Foco, em São Paulo.
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