Artrose bilateral do quadril: opera os dois? | Dr. Paulo Afonso
Quando trocar as duas articulações no mesmo dia faz sentido, e quando vale escalonar as cirurgias.
“Quem tem desgaste nos dois quadris costuma perguntar primeiro sobre o tempo de recuperação. Eu pergunto antes qual lado limita mais a caminhada. Isso costuma definir a ordem da prótese (peça que substitui a articulação gasta).”— Dr. Paulo Afonso
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- Universidade de São Paulo (USP)
- IAMSPE
- Título de Especialista pela SBOT (Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia)
- Sociedade Brasileira do Quadril
- Hospital das Clínicas da FMUSP, Hospital IAMSPE, Instituto Medicina em Foco
- Ortopedia e Traumatologia

No consultório, a pergunta chega carregada de receio: será que vou precisar passar por duas cirurgias? Minha resposta começa pela pessoa, pelo coração e pelo fôlego, antes da radiografia. Só depois falamos em operar um quadril, os dois ou nenhum por enquanto.— Dr. Paulo Afonso
Passo a passo
- 1Avaliação inicialO ortopedista examina a marcha, a mobilidade de cada quadril e compara a dor do lado direito com a do esquerdo.
- 2Exames de imagemA radiografia da bacia mostra o grau da coxartrose em cada lado e ajuda a definir qual articulação mais limita.
- 3Avaliação clínicaExames de sangue, eletrocardiograma (registro da atividade elétrica do coração) e consulta clínica avaliam se o organismo tolera a cirurgia simultânea.
- 4CirurgiaA artroplastia total do quadril é feita nos dois lados no mesmo dia ou em etapas, com intervalo entre elas.
- 5ReabilitaçãoA fisioterapia começa já na internação, com exercícios para levantar, caminhar com andador e fortalecer a musculatura do quadril.
- 6ReavaliaçãoNos retornos, nova radiografia confere a posição da prótese e, se houve escalonamento, define o momento de operar o outro lado.
Artrose bilateral do quadril: opera os dois?
Possível na técnica, nem sempre indicado
A artroplastia total do quadril (troca completa da articulação) nos dois lados no mesmo dia é tecnicamente viável. Somar duas cirurgias, porém, aumenta a perda de sangue, o tempo de anestesia e o esforço do coração. A indicação segue critérios clínicos individuais, como orienta a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia.A anemia (falta de glóbulos vermelhos no sangue), doenças do coração, obesidade e idade avançada deixam o organismo mais frágil. Nesses casos, duas cirurgias no mesmo dia elevam o risco de trombose venosa profunda (coágulo nas veias da perna). A embolia pulmonar (coágulo que migra até o pulmão) também se torna mais provável.Por que um lado costuma vir antes
Na rotina clínica, é comum um quadril doer bem mais que o outro, enquanto o lado menos gasto ainda permite caminhar. A displasia do quadril (encaixe raso da articulação desde o nascimento) pode acelerar o desgaste de um dos lados.Enquanto o lado operado se recupera, o outro segue acompanhado, e as opções de remédio para artrose no quadril entram nessa conversa. A fisioterapia (exercícios orientados para recuperar movimento e força) mantém a musculatura ativa nos dois lados durante todo o intervalo.Quando a artrose do quadril passa a pedir prótese
Dor e limitação que mudam a rotina
A dor que acorda à noite, aparece em repouso ou exige analgésicos (remédios contra dor) diários sinaliza coxartrose avançada. Calçar meias, cortar as unhas dos pés e entrar no carro viram tarefas difíceis. Quando a caminhada encolhe para poucos quarteirões, a qualidade de vida já ficou comprometida.Por que o raio-X sozinho não decide
A radiografia (raio-X) pode mostrar pouco espaço na articulação e osteófitos (bicos de osso nas bordas) em quem sente pouca dor. O contrário também acontece: imagem moderada com sofrimento intenso no dia a dia. A prótese trata o paciente, não a chapa, e o exame físico confere rigidez, mobilidade e marcha (jeito de andar).Dor no quadril às vezes nasce na coluna lombar (parte baixa das costas), e separar as duas origens é essencial. Quem já operou essa região encontra cuidados específicos em prótese de quadril após cirurgia na coluna. Só depois dessa triagem cabe a pergunta artrose bilateral do quadril: opera os dois?
O que vale tentar antes de partir para a cirurgia
Remédios e infiltração para atravessar as crises
Analgésicos e anti-inflamatórios (remédios que reduzem inflamação e dor) ajudam a atravessar as fases de piora, sempre com prescrição e acompanhamento médico. A infiltração (injeção de medicamento dentro da articulação) pode trazer alívio temporário em casos selecionados. Para entender o que esses recursos fazem e o que não fazem, leia Artrose no quadril tem cura?Fisioterapia e peso: o que mais faz diferença
A fisioterapia fortalece glúteos e coxas, músculos que passam a absorver parte da carga que chegaria às articulações. Hidroginástica, bicicleta ergométrica e caminhadas curtas preservam o movimento sem castigar a cartilagem. Esse preparo também tende a facilitar a recuperação caso, mais adiante, seja preciso conhecer as etapas da cirurgia de prótese de quadril.Na artrose dos dois lados, um quadril costuma responder melhor ao tratamento que o outro. Acompanhar essa resposta, lado a lado, orienta a ordem de uma eventual cirurgia.Perder peso reduz a carga sobre os dois quadris a cada passo, e mesmo uma redução modesta tende a aliviar a dor. Quando a dor persiste mesmo com remédio, exercício e peso controlado, adiar a prótese passa a custar qualidade de vida. Nessa fase, vale planejar também a parte prática, como funciona o pagamento da cirurgia particular.Esta orientação acompanha material de referência clínica, fonte consultada para esta seção.Na mesma cirurgia ou em dois tempos: o que muda para o paciente
Uma internação ou duas
Operar tudo de uma vez reduz o número de hospitalizações e concentra o afastamento do trabalho num único período. Em compensação, os primeiros dias exigem mais apoio, porque não há uma perna sadia para sustentar o peso. O andador e a ajuda em casa ganham importância já na alta.Em etapas, o afastamento se divide em dois períodos distintos, separados pelo intervalo entre os lados. Para quem trabalha, as dúvidas sobre afastamento e benefícios aparecem cedo, e vale ler sobre artrose no quadril e aposentadoria.Riscos e o fôlego do organismo
Somar os dois lados prolonga a anestesia e aumenta a perda de sangue, elevando a chance de transfusão. O risco de trombose venosa profunda e de embolia pulmonar também pesa mais em quem tem anemia ou doença cardíaca. No escalonamento, cada cirurgia é menor, e o organismo se recupera antes de enfrentar a segunda.O preço do escalonamento é repetir anestesia, internação e fisioterapia. A anestesia raquidiana (aplicada nas costas, adormece da cintura para baixo) costuma ser usada nas duas estratégias.A escolha entre os dois caminhos depende de exame físico, exames clínicos e da rotina de cada paciente. Um ortopedista especialista em quadril próximo de casa facilita os retornos durante todo o intervalo.Esta orientação acompanha material de referência clínica, fonte consultada para esta seção.Quem pode operar os dois lados juntos e quem deve ir por etapas
Perfil que tolera os dois lados no mesmo dia
O candidato à cirurgia simultânea costuma ser ativo, sem doença cardíaca relevante e com hemoglobina normal antes da operação. Pesa a favor também quem tem dor intensa e parecida nos dois quadris, sem lado que sustente a marcha. Nos estágios mais avançados descritos em graus e tratamento da coxartrose, essa simetria pode aparecer.Apoio em casa conta tanto quanto os exames, porque as duas pernas operadas exigem ajuda para levantar, tomar banho e caminhar.Quando escalonar é o caminho mais prudente
Insuficiência cardíaca (coração que bombeia com menos força) tolera mal a perda de sangue somada de dois lados operados. A DPOC (doença pulmonar que reduz o fôlego) e a doença renal crônica (rins que filtram pouco) também encolhem essa margem. Anemia prévia aumenta a chance de transfusão, e o risco de trombose venosa profunda cresce com a imobilidade.Fragilidade, quedas recentes e osteoporose (ossos porosos e frágeis) favorecem as etapas, e podem influenciar a fixação da prótese. Essa escolha técnica aparece em prótese cimentada ou não cimentada. Quem mora sozinho também tende a ir por etapas, mantendo uma perna firme para os primeiros dias.Antes de contar dois quadris doentes, o exame confirma que a dor vem mesmo da articulação. Em pessoas ativas, vale diferenciar a dor na virilha do atleta, que pode ter origem no púbis (osso da frente da bacia). Um lado sem artrose dispensa a segunda prótese.Os riscos da prótese de quadril e o que pesa mais quando são duas
Sangramento e trombose: os riscos que mais crescem
Com dois lados operados, a perda de sangue se soma, e a reserva de quem já tem anemia encolhe. Ficar mais tempo deitado, sem uma perna livre para apoiar, também favorece a trombose venosa profunda.A prevenção combina anticoagulante (remédio que dificulta a formação de coágulos), meias de compressão e caminhada já nos primeiros dias. Movimentar as pernas cedo faz parte do tratamento, e o papel do exercício aparece em exercícios que ajudam ou pioram a artrose.Infecção e luxação: atenção que vai além da alta
A infecção periprotética (contaminação ao redor da prótese) é incomum, mas exige tratamento rápido e às vezes nova cirurgia. Febre, vermelhidão e secreção no corte merecem contato imediato com a equipe. Os sinais e as condutas estão detalhados em sinais e tratamento da infecção na prótese.A luxação costuma acontecer nas primeiras semanas, com movimentos como cruzar as pernas ou sentar muito baixo. Com os dois quadris operados, esse cuidado vale para ambos os lados ao mesmo tempo. Uma pequena diferença no comprimento das pernas também pode aparecer e é avaliada nos retornos.Na cirurgia dupla, uma complicação de um lado limita a reabilitação do outro, sem perna sadia para compensar. Pesar esses riscos antes de decidir é parte do planejamento, não motivo para adiar sem fim.Esta orientação acompanha Hip Replacement Surgery, fonte consultada para esta seção.Como se decide qual quadril operar primeiro
Os critérios que definem o primeiro lado
A dor que acorda à noite e o encurtamento da caminhada pesam mais que a imagem isolada. Rigidez forte, com o quadril preso em flexão (dobrado, sem esticar por completo), também favorece começar por ele. Estalos com dor também entram na avaliação, como mostra o guia sobre quando o quadril estala e dói.Diferença no comprimento das pernas é outro critério, porque o lado mais encurtado altera o apoio e sobrecarrega o oposto. A artroplastia total do quadril (troca da articulação por prótese) pode corrigir parte dessa diferença no lado operado. O assunto aparece em detalhe no texto sobre quando uma perna fica mais curta.Na displasia do quadril (encaixe raso desde o nascimento), o lado mais deformado costuma exigir planejamento próprio da prótese. Quando a dor é parecida nos dois lados, pesa o lado que mais atrapalha tarefas como dirigir ou subir escadas.Quanto tempo esperar até o segundo lado
O segundo quadril entra na agenda quando o primeiro já permite caminhar com segurança e a ferida cicatrizou bem. A hemoglobina (proteína do sangue que leva oxigênio) precisa voltar a níveis adequados antes de nova perda de sangue. Esse intervalo costuma variar de algumas semanas a alguns meses, conforme cada organismo.Há quem perceba, após a primeira prótese, que o outro lado passa a incomodar menos com a marcha mais equilibrada. Nesses casos, a segunda cirurgia pode ser adiada e reavaliada nos retornos, com nova radiografia.A recuperação depois da prótese, com um ou com os dois lados operados
Andador, muletas e fisioterapia nas primeiras semanas
Com um lado operado, o andador costuma dar lugar às muletas em poucas semanas, conforme a força e o equilíbrio. Com os dois quadris operados, o andador tende a ficar mais tempo, porque o peso se divide entre duas pernas em recuperação. Quem ainda aguarda a segunda prótese pode discutir a terapia regenerativa no quadril em SP para o lado não operado.A fisioterapia continua após a alta, com treino de marcha, equilíbrio e degraus, ajustado à evolução de cada lado. Na cirurgia simultânea, as duas pernas evoluem juntas, e o progresso pode parecer mais lento no começo.Cuidados em casa e prevenção de quedas
A casa precisa ser adaptada antes da cirurgia, com tapetes soltos retirados, boa iluminação noturna e barras no banheiro. Assento sanitário elevado e cadeira firme, com braços, evitam sentar muito baixo, posição que favorece a luxação da prótese. Com os dois lados operados, ter alguém por perto nas primeiras semanas reduz o risco de queda.Inchaço leve na perna é esperado, mas dor na panturrilha, falta de ar ou febre pedem contato rápido com a equipe. Esses sinais podem indicar trombose venosa profunda ou infecção, complicações que respondem melhor quando tratadas cedo. Dirigir e voltar ao trabalho dependem da liberação nos retornos, que acompanham a cicatrização e a firmeza ao caminhar.O que perguntar ao ortopedista e ao anestesiologista antes de decidir
Perguntas sobre a indicação e a estratégia
Pergunte ao ortopedista qual quadril limita mais a sua marcha e por que ele indica a artroplastia total do quadril agora. Peça que ele mostre, na radiografia, o grau da coxartrose em cada lado. Vale saber também se a cirurgia será simultânea ou em etapas, e qual intervalo ele prevê.Pergunte qual modelo de prótese será usado e se a fixação será cimentada ou não cimentada. Entenda as diferenças de técnica lendo sobre prótese parcial ou total de quadril.Perguntas ao anestesiologista sobre os seus riscos
Na consulta pré-anestésica (avaliação feita antes da cirurgia pelo anestesiologista), pergunte se a anestesia raquidiana serve para o seu caso. Conte a ele sobre doenças do coração, dos pulmões e dos rins, porque elas mudam o plano. Vale perguntar ainda como a dor será controlada nos primeiros dias.Pergunte qual é a sua taxa de hemoglobina e qual a chance de precisar de transfusão (reposição de sangue). Pergunte também que cuidados previnem a trombose venosa profunda e a embolia pulmonar no seu caso.Perguntas sobre reabilitação e custos
Peça a lista de adaptações da casa, como barras no banheiro e assento sanitário elevado, e pergunte quando começa a fisioterapia. Esclareça também a previsão de alta e de retorno ao trabalho.No convênio, peça por escrito o que a autorização inclui. A autorização cobre a internação hospitalar, mas honorários médicos e aluguel de equipamentos podem ser cobrados à parte.Agende uma consulta com o Dr. Paulo Afonso, de Ortopedia e Traumatologia, para revisar essas perguntas com calma. Ele atende no Instituto Medicina em Foco, em São Paulo. Se preferir o atendimento particular, veja antes quanto custa uma prótese de quadril particular.Agende sua avaliação com Dr. Paulo Afonso
Consulta com Dr. Paulo Afonso, Ortopedia e Traumatologia, no corpo clínico do Instituto Medicina em Foco, em São Paulo.
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