Especialista em colite infecciosa | Dra. Sabrina Figueiredo
Por que a diarreia com sangue pede investigação da causa antes de qualquer antibiótico.
“Muitas pessoas chegam já tendo tomado antibiótico por conta própria, antes da coprocultura (exame que identifica a bactéria nas fezes). Prefiro colher a amostra na primeira avaliação, porque o resultado orienta o tratamento.”— Dra. Sabrina de Figueiredo
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- Membro da European Crohn’s and Colitis Organisation (ECCO) · Membro do Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal do Brasil (GEDIIB)
- Gastroenterologia

No consultório, começo perguntando o que a pessoa comeu, bebeu e onde esteve nos dias anteriores à diarreia. Essa história costuma apontar o micróbio antes mesmo do exame.— Dra. Sabrina de Figueiredo
Passo a passo
- 1Consulta inicialO gastroenterologista examina o abdome, mede pressão e temperatura e avalia se a hidratação pode ser feita em casa.
- 2Coleta de fezesA amostra segue para coprocultura e pesquisa de toxinas antes de qualquer antibiótico, para não mascarar o resultado.
- 3Exames de sangueHemograma (contagem das células do sangue) e função dos rins mostram a intensidade da inflamação e o efeito da desidratação.
- 4Tratamento dirigidoCom o micróbio identificado, o cuidado passa a mirar aquele agente, em vez de seguir um tratamento às cegas.
- 5ReavaliaçãoNo retorno, o gastroenterologista confere se a diarreia, a febre e o sangue nas fezes desapareceram.
- 6Investigação ampliadaSe os sintomas persistirem por semanas, a colonoscopia afasta doença inflamatória intestinal e colhe biópsias (pequenos fragmentos de tecido para análise).
Especialista em colite infecciosa: quem investiga e quem trata
Quando o infectologista entra no caso
O infectologista (médico especializado em infecções) participa quando a defesa do organismo está enfraquecida. Isso inclui pessoas que vivem com HIV, que fazem quimioterapia ou que usam remédios imunossupressores (que reduzem a imunidade). Ele também ajuda quando o micróbio resiste aos antibióticos habituais ou a infecção chega ao sangue.Quando o coloproctologista é chamado
O coloproctologista (cirurgião do intestino grosso, do reto e do ânus) entra nas complicações graves. Uma delas é o megacólon tóxico (dilatação aguda do cólon com risco de ruptura), descrita em infecções por Clostridioides difficile. Referências como a Federação Brasileira de Gastroenterologia tratam perfuração e piora apesar do tratamento clínico como sinais para avaliar cirurgia.Temos observado que muitos casos graves começam com uma diarreia comum tratada em casa por tempo demais. Sangue persistente, febre alta e dor abdominal intensa são os sinais que levam o gastroenterologista a acionar os colegas.O que acontece no intestino durante uma colite infecciosa
Três maneiras de um micróbio inflamar o cólon
Algumas bactérias, como Shigella e Campylobacter, invadem as células da mucosa e abrem pequenas feridas. Daí vem o sangue misturado às fezes e a dor em cólica. Outras, como certas cepas de Escherichia coli, liberam toxinas (substâncias nocivas produzidas pelo micróbio) que lesam a parede sem invadi-la.O Clostridioides difficile segue esse segundo caminho. Ele se multiplica quando o antibiótico reduz a microbiota (conjunto de bactérias que vivem no intestino), que normalmente o mantém sob controle.Parasitas como a Entamoeba histolytica fixam-se na mucosa e podem formar úlceras (feridas abertas na parede). Os vírus atacam mais o intestino delgado e costumam causar diarreia aquosa, sem sangue.Por que a inflamação provoca diarreia e febre
Inflamada, a mucosa absorve menos água e passa a secretar líquido, o que deixa as fezes moles e frequentes. A defesa do organismo libera substâncias que elevam a temperatura e causam mal-estar.Segundo o Centers for Disease Control and Prevention, a reposição oral de água e sais é a primeira medida nessas infecções. Identificar qual desses mecanismos está em ação cabe ao especialista em colite infecciosa, porque cada um pede um cuidado diferente.
Sinais que exigem pronto atendimento no mesmo dia
Desidratação que já afeta o corpo
Urinar muito pouco ao longo do dia, ter urina escura e sentir tontura ao ficar de pé mostram perda importante de líquido. Vômitos que impedem beber água agravam esse quadro rapidamente. Confusão mental, sonolência e coração acelerado em repouso indicam desidratação que já compromete a circulação.Sangue, febre e dor que não cedem
Raias de sangue podem surgir numa colite bacteriana leve. Sangue em grande volume, coágulos ou evacuações feitas só de sangue pedem avaliação no mesmo dia. Febre alta com calafrios, que não baixa com antitérmico comum, sugere infecção mais invasiva.Dor abdominal forte e contínua, barriga inchada e endurecida ou parada das evacuações podem indicar o megacólon tóxico citado antes. Em quem tomou antibiótico nas últimas semanas, esse conjunto reforça a suspeita de Clostridioides difficile.Sinais menos óbvios e grupos de risco
Após infecção por Escherichia coli, palidez, manchas roxas e pouca urina sugerem síndrome hemolítico-urêmica (dano ao sangue e aos rins). Pessoas que vivem com HIV, idosos frágeis e bebês desidratam e se complicam mais depressa.Fezes pretas como borra de café apontam sangramento mais alto, como o da úlcera no duodeno (início do intestino delgado). Esse quadro tem investigação própria, descrita na página sobre avaliação da úlcera duodenal em São Paulo. Diante de qualquer um desses sinais, o pronto-socorro faz o primeiro atendimento, e o especialista em colite infecciosa segue o caso depois.O que está descrito acima segue Colitis MedlinePlus Medical Encyclopedia, referência usada nesta seção.Bactérias, vírus e parasitas que mais causam a doença
Bactérias ligadas à comida e ao contato entre pessoas
A Salmonella costuma vir de ovos crus, maionese caseira e frango mal cozido. O Campylobacter aparece após carne de aves mal passada ou leite não pasteurizado.A Shigella passa de pessoa para pessoa com facilidade, sobretudo em creches e casas cheias, porque poucas bactérias já bastam para infectar. A Escherichia coli produtora de toxina Shiga (substância que lesa vasos e rins) vem de carne moída mal passada.Bactéria que surge depois de antibióticos
O Clostridioides difficile é a causa mais lembrada de colite em quem tomou antibiótico nas semanas anteriores. Internação recente e idade avançada aumentam essa chance.Vírus que atingem o cólon
Norovírus e rotavírus afetam mais o intestino delgado. O citomegalovírus (vírus da mesma família do herpes) é o que inflama o cólon, quase sempre em pessoas com imunidade baixa. Isso inclui quem vive com HIV, recebeu transplante ou usa remédios imunossupressores.Parasitas e a água sem tratamento
A Entamoeba histolytica se espalha por água e alimentos contaminados, em regiões com saneamento precário ou após viagens. A esquistossomose (infecção por verme que penetra a pele em água doce) aparece em quem nadou em rios e lagoas com caramujos.Nem toda bactéria do aparelho digestivo atinge o cólon. A Helicobacter pylori vive no estômago e está por trás de muitas úlceras, tema da página sobre investigação da úlcera no estômago. O especialista em colite infecciosa cruza esses dados de exposição com os exames de fezes.Infecção ou colite ulcerativa: por que a diferença importa
Pistas que apontam para infecção
Início súbito, febre, alguém da casa com o mesmo quadro e comida suspeita nos dias anteriores sugerem origem infecciosa. A coprocultura ou a pesquisa de toxinas positivas confirmam o micróbio responsável.Pistas que apontam para doença inflamatória intestinal
Sangue nas fezes por mais de quatro semanas, emagrecimento e exames de fezes negativos sugerem doença inflamatória intestinal. A calprotectina fecal (proteína nas fezes que mede inflamação do intestino) sobe nas duas situações e, sozinha, não separa uma da outra. A doença de Crohn (inflamação crônica que pode atingir qualquer trecho do tubo digestivo) entra na mesma suspeita.Quando a colonoscopia e a biópsia decidem
Na colite ulcerativa, a inflamação começa no reto e sobe de forma contínua; na doença de Crohn, aparece em trechos salteados. A biópsia revela sinais de doença crônica, como glândulas deformadas, que a infecção aguda não costuma deixar.A European Crohn's and Colitis Organisation inclui exames de fezes para afastar infecção antes de confirmar doença inflamatória intestinal. Um levantamento europeu sobre esses padrões 2025 mostrou que a prática real nem sempre segue essas normas. Tratar colite ulcerativa como infecção atrasa o remédio certo, e o contrário expõe a pessoa a imunossupressores sem necessidade.O especialista em colite infecciosa conduz essa separação. Infecções de outros trechos do aparelho digestivo seguem testes diferentes, como mostra a página sobre avaliação da infecção por Helicobacter pylori.Exames de fezes, sangue e colonoscopia: o que cada um mostra
O que as fezes revelam
O painel molecular (teste que detecta o material genético de vários micróbios de uma vez) dá resposta em horas e encontra vírus.No Clostridioides difficile, o laboratório pesquisa o gene da bactéria e a toxina, que mostra se ela está agindo.O que o sangue mostra
O hemograma mostra se os glóbulos brancos subiram e se houve perda de sangue. A proteína C reativa (marcador de inflamação no sangue) indica a intensidade do processo. Ureia, creatinina e sódio mostram quanto a desidratação afetou os rins.Anemia (falta de glóbulos vermelhos) sem sangue visível nas fezes pode vir de feridas no estômago ou no duodeno. A endoscopia (exame que avalia esôfago, estômago e duodeno) investiga esse trecho, como descreve a página sobre investigação da úlcera no duodeno.Quando a colonoscopia com biópsia entra
A colonoscopia (exame que avalia o intestino grosso por dentro) fica para os quadros que fogem do padrão. Entram aí o sangue que persiste após o tratamento e fezes negativas com sintomas por semanas. A biópsia confirma a suspeita de citomegalovírus em quem tem imunidade baixa.Na colite grave, a retossigmoidoscopia (exame só do reto e do final do cólon), mais curta, reduz o risco de perfuração.O que está descrito acima segue material de referência clínica, referência usada nesta seção.Colite por Clostridioides difficile depois de antibióticos
Antibióticos mais associados e outros fatores de risco
Clindamicina, cefalosporinas e fluoroquinolonas (classes de antibióticos de amplo alcance) estão entre os mais ligados ao quadro. Internação recente, idade avançada e inibidores da bomba de prótons (remédios que reduzem o ácido do estômago) somam risco. O tratamento da Helicobacter pylori também usa antibióticos, como mostra a página sobre o cuidado da úlcera gástrica.Como o diagnóstico é confirmado
A suspeita surge quando aparecem três ou mais evacuações líquidas por dia depois do uso de antibiótico. O laboratório só analisa fezes líquidas, porque pessoas sem diarreia podem ter colonização (presença da bactéria sem causar doença). Na colonoscopia (exame que avalia o intestino grosso por dentro), as pseudomembranas aparecem como placas amarelo-esbranquiçadas sobre a mucosa inflamada.O que o tratamento inclui
Sempre que possível, o antibiótico que desencadeou o quadro é suspenso, e remédios que prendem o intestino ficam de fora. As diretrizes da Infectious Diseases Society of America indicam vancomicina ou fidaxomicina por via oral contra a bactéria. Retornos da infecção podem envolver o infectologista, tema do guia sobre como encontrar bons infectologistas no Brasil.A infecção pode voltar nas semanas seguintes ao fim do tratamento, sobretudo em quem precisa de novos antibióticos. Cada retorno pede nova análise das fezes e acompanhamento com um especialista em colite infecciosa.Tratamento depende da causa, não de um remédio padrão
Quando hidratação e suporte bastam
O soro de reidratação oral (mistura pronta de água, sais e açúcar) repõe o que a diarreia leva embora. Pequenos goles frequentes funcionam melhor quando há enjoo. Vírus como o norovírus e muitas infecções leves por Salmonella seguem esse caminho, sem antibiótico.Quando a bactéria pede antibiótico
Antibiótico entra quando a bactéria invade a parede do cólon, com febre alta e sangue, ou quando a imunidade está baixa. Shigella e Campylobacter em quadros intensos recebem remédio escolhido pelo antibiograma (teste que mostra a quais remédios a bactéria responde). Tomado sem necessidade, ele pode causar enjoo e azia, sintomas parecidos com os descritos na página sobre cuidado de quem tem gastrite.Na Escherichia coli produtora de toxina Shiga, o antibiótico se associa a maior risco de síndrome hemolítico-urêmica. Ali, hidratação e exames dos rins formam a base do acompanhamento.Parasitas e antiparasitários
Entamoeba histolytica e Giardia lamblia respondem a antiparasitários (remédios que eliminam parasitas), escolhidos depois que o exame parasitológico confirma o agente. Vermífugo comprado sem exame pode não atingir o parasita certo e adiar o diagnóstico.Se a diarreia volta após o remédio, o especialista em colite infecciosa repete o exame de fezes antes de mudar o tratamento. Uma nova infecção, outro micróbio ou uma doença inflamatória intestinal podem estar por trás da piora.A conduta descrita aqui se apoia em Gaps between European Crohn s and 2025.Antidiarreico e antibiótico por conta própria: os riscos
Quando prender o intestino agrava a inflamação
Com febre e sangue nas fezes, a diarreia ajuda a eliminar o agente. Frear esse trânsito favorece o megacólon tóxico, sobretudo nas infecções por Shigella e Clostridioides difficile. Na Escherichia coli produtora de toxina Shiga, o antidiarreico também se liga a maior risco de dano aos rins.O que o antibiótico tomado sem exame provoca
Antibiótico iniciado antes da coleta pode negativar a coprocultura e deixar o micróbio sem nome. Sem o antibiograma, a escolha vira palpite, e a bactéria pode resistir ao remédio. A própria medicação reduz a microbiota e abre espaço para o Clostridioides difficile.Sobras de tratamentos anteriores guardadas em casa costumam ter dose e duração erradas para o agente atual. Interromper o remédio quando a diarreia melhora favorece micróbios resistentes.Efeitos do remédio que confundem o quadro
Alguns antibióticos, como a doxiciclina, ferem o esôfago (tubo entre a boca e o estômago) se engolidos com pouca água. A dor ao engolir que surge depois tem investigação própria, descrita na página sobre avaliação da dificuldade para engolir.Quando há febre ou sangue, a coleta de fezes antes do remédio permite escolher o tratamento pelo agente.Esta seção foi revisada contra Colitis MedlinePlus Medical Encyclopedia.Contágio, cuidados em casa e prevenção de novos episódios
Higiene que reduz o contágio em casa
Água e sabão, esfregados entre os dedos e sob as unhas, removem mais micróbios que o álcool em gel. O álcool age pouco sobre os esporos (formas resistentes da bactéria) do Clostridioides difficile e sobre o norovírus. A limpeza do vaso, da descarga e das maçanetas com água sanitária diluída inativa esses agentes.Toalhas, talheres e copos de quem está doente ficam separados até a diarreia passar. Roupas sujas de fezes vão para a lavagem à parte, em água quente. Quem tem diarreia fica longe do preparo de comida para a família enquanto houver sintomas.Como reduzir o risco de um novo episódio
Antibiótico usado só com indicação médica preserva a microbiota e diminui a chance de o Clostridioides difficile voltar. Ovos, frango e carne moída bem cozidos afastam Salmonella, Campylobacter e Escherichia coli. Em viagens, água filtrada ou fervida reduz o contato com Giardia lamblia e Entamoeba histolytica.A Dra. Sabrina de Figueiredo, de Gastroenterologia, integra a equipe do Instituto Medicina em Foco, em São Paulo. Ela também trata a esofagite (inflamação do esôfago pelo ácido), descrita na página sobre cuidado da esofagite de refluxo. Agende uma consulta para revisar os cuidados da casa e o plano de prevenção.Agende sua avaliação com Dra. Sabrina de Figueiredo
Consulta com Dra. Sabrina de Figueiredo, Gastroenterologia, no corpo clínico do Instituto Medicina em Foco, em São Paulo.
Agende sua avaliação com Dr. SabrinaLigar agora




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