Fratura do colo do fêmur em jovem: cirurgia urgente
Por que, no adulto jovem, as horas entre o trauma e a cirurgia decidem o futuro da cabeça do fêmur.
“Quando um adulto jovem quebra o quadril numa queda de moto, peço a sala cirúrgica ainda no pronto-socorro. Nas primeiras horas, o osso se encaixa melhor e a cabeça do fêmur mantém sua circulação.”— Dr. Paulo Afonso
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- Universidade de São Paulo (USP)
- IAMSPE
- Título de Especialista pela SBOT (Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia)
- Sociedade Brasileira do Quadril
- Hospital das Clínicas da FMUSP, Hospital IAMSPE, Instituto Medicina em Foco
- Ortopedia e Traumatologia

Diante de um quadril quebrado em alguém de 30 anos, meu compromisso é salvar o osso que a pessoa já tem.— Dr. Paulo Afonso
Passo a passo
- 1Pronto-socorroNo pronto-socorro, a equipe controla a dor, imobiliza a perna e confirma a fratura com raio-X e tomografia.
- 2Preparo cirúrgicoExames de sangue, eletrocardiograma (registro dos batimentos do coração) e conversa com o anestesista preparam a cirurgia.
- 3Redução e fixaçãoNo centro cirúrgico, os fragmentos são alinhados sob radioscopia (raio-X em tempo real) e fixados com parafusos.
- 4Primeiros passosNos dias de internação, a fisioterapia começa no leito e ensina a caminhar com andador ou muletas.
- 5Retornos com imagemEm casa, os retornos com raio-X acompanham a consolidação (o osso colando) e liberam o apoio aos poucos.
- 6Reavaliação tardiaNos meses seguintes, a ressonância magnética (exame de imagem sem radiação) pode checar a circulação da cabeça do fêmur.
Fratura do colo do fêmur em jovem: cirurgia urgente ou pode esperar?
Por que o tempo pesa mais no adulto jovem
No adulto jovem, o osso é denso e só quebra com trauma forte, o que costuma deixar o colo bem desviado. Quanto maior o desvio na classificação de Garden, maior a chance de os vasos já estarem lesados. Temos visto que a dúvida das famílias é se dá para esperar o dia seguinte.Seguimos a linha da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia: reduzir e fixar o colo o quanto antes. A fixação usa parafusos canulados (parafusos ocos, guiados por um fio) ou placa com parafuso deslizante (implante que comprime a fratura). Esperar dias aumenta o risco de necrose e de pseudoartrose.Quando a cabeça do fêmur perde a irrigação
Se a cabeça femoral perder a irrigação apesar da fixação, o caminho passa por um especialista em necrose da cabeça femoral. Na terceira idade, a lógica muda, e a escolha entre prótese e parafuso segue outros critérios.Sinais de alerta após o trauma e o que fazer até chegar ao hospital
Quando a dor é discreta e engana
Na fratura sem desvio, a pessoa às vezes ainda caminha, mancando, e atribui a dor a uma pancada. Em corredores e militares, a fratura por estresse (trinca por sobrecarga repetida) causa dor na virilha que surge no esforço. Dor na virilha que não passa em poucos dias levanta a suspeita de fratura.Como agir até o atendimento de emergência
Em trauma forte, o Centers for Disease Control and Prevention (agência de saúde dos Estados Unidos) orienta acionar o serviço de emergência. No Brasil, o SAMU (serviço de atendimento móvel de urgência) remove a pessoa imobilizada em prancha. Até lá, a pessoa fica deitada, sem endireitar a perna nem tentar andar.Em pessoas idosas, a mesma fratura surge numa queda da própria altura. Esse caso aparece em quando a pessoa idosa hesita em operar.
Como o diagnóstico é confirmado: radiografia, tomografia e ressonância
Quando o raio-X não mostra a fratura
Na fratura sem desvio ou por estresse, a radiografia pode sair normal mesmo com o osso trincado. Esse quadro se chama fratura oculta (quebra que o raio-X não enxerga).A ressonância magnética (exame com ímã, sem radiação) é o exame mais sensível para essa situação. Ela detecta o edema ósseo (inchaço dentro do osso) pouco depois do trauma. Também mostra se a cabeça femoral tem sinais de sofrimento circulatório.O que a tomografia acrescenta
A tomografia computadorizada (raio-X em cortes finos) desenha o traço da fratura em três dimensões. Com ela, o cirurgião planeja a posição dos parafusos e percebe fragmentos pequenos. Sem ressonância disponível, a tomografia ajuda a buscar a fratura oculta, mas deixa escapar traços finos.Imagem depois da cirurgia
Depois da fixação, os parafusos de metal geram artefato (brilho que borra a imagem) na tomografia e na ressonância. Nos retornos, o raio-X simples segue como exame de controle da consolidação. O momento de tirar o implante tem critérios próprios, descritos em quando retirar placa e parafuso do fêmur.Os exames são os mesmos na pessoa idosa, com osteoporose (perda de massa do osso) frequente. Nessa idade, o desvio visto na imagem pesa na escolha entre prótese ou parafuso em idosos.A conduta descrita aqui se apoia em Diretrizes Brasileiras para o tratamento de fratura.Fratura sem desvio ou desviada: como isso muda a conduta
A inclinação do traço na classificação de Pauwels
A classificação de Pauwels mede o ângulo do traço (linha da quebra) em relação à horizontal. No tipo III, acima de 50 graus, o traço fica quase vertical e o peso do corpo tende a escorregar os fragmentos. Esse padrão é frequente no trauma de alta energia do adulto jovem.Nos tipos I e II, o traço é mais deitado, e a carga comprime os fragmentos, o que ajuda a consolidação.Como a combinação define o tratamento
No adulto jovem, a fratura sem desvio também é operada, porque o apoio precoce pode deslocá-la. A fixação usa parafusos canulados colocados por cortes pequenos, sem abrir a articulação. A mesma lógica de ler o traço guia a cirurgia na coluna, como em quando a fratura de vértebra exige cirurgia.Na fratura desviada, a prioridade é a redução anatômica (recolocar o osso na posição exata), fechada ou com abertura da articulação. Quando o traço é vertical, a placa com parafuso deslizante segura melhor contra o escorregamento. Se a cabeça necrosar depois, a prótese vira opção, como nas etapas da cirurgia de prótese de quadril.O que está descrito acima segue Diretrizes Brasileiras para o tratamento de fratura, referência usada nesta seção.Quanto tempo se pode esperar para operar: por que o jovem não segue o protocolo do idoso
Não há um número fixo para o jovem
Não existe um prazo em horas aceito por todos os serviços para o adulto jovem. A meta é fazer a redução e a fixação na primeira janela segura, em geral no mesmo dia do trauma. Cada caso pesa três fatores: estabilidade clínica, lesões associadas e equipe disponível.Quando outras lesões vêm primeiro
No politrauma (várias lesões graves no mesmo acidente), sangramento no abdome ou trauma craniano têm prioridade sobre o quadril. A equipe segue o controle de danos (estabilizar a vida antes de reparar ossos). Quando a pressão e a oxigenação se firmam, o colo do fêmur entra na fila cirúrgica.O peso da equipe e da sala cirúrgica
A redução anatômica depende de radioscopia, mesa de tração (mesa que alinha a perna puxando-a) e cirurgião habituado ao quadril. Operar de madrugada com equipe incompleta pode render uma redução pior do que esperar algumas horas pela equipe completa.Se a cabeça do fêmur necrosar e a prótese virar caminho anos depois, a cirurgia passa a ser eletiva (marcada com antecedência). Nessa fase, há prazos de autorização, como mostra o guia de prótese de quadril pelo plano Cassi.Para escrever esta parte consultamos Diretrizes Brasileiras para o tratamento de fratura.Redução e fixação interna: como a cirurgia tenta preservar o quadril
Parafusos, DHS ou placa: o que decide o implante
Nos traços mais deitados, três parafusos canulados em triângulo costumam bastar, colocados por cortes pequenos. No traço vertical do Pauwels III, o DHS (sigla inglesa do parafuso deslizante de quadril) resiste melhor ao escorregamento. Alguns cirurgiões somam uma placa de apoio medial (placa na face interna do colo) para travar o fragmento.Os limites da fixação
Os parafusos estabilizam o colo, porém não refazem os vasos rompidos no trauma. A necrose avascular pode aparecer meses depois, mesmo com o implante bem posicionado. Outra falha é a pseudoartrose, em que o colo não cola e os parafusos se soltam ou quebram.Há ainda o colapso em varo (o colo afunda e encurta a perna), que muda a marcha. Quando a fixação falha, as opções incluem nova fixação, osteotomia (corte para reorientar o osso) ou prótese.O mesmo acidente pode quebrar o acetábulo (cavidade da bacia onde a cabeça do fêmur encaixa). Nesse caso, a equipe planeja as duas fixações juntas, como explica o texto sobre quando a fratura do acetábulo exige operação.A conduta descrita aqui se apoia em Diretrizes Brasileiras para o tratamento de fratura.Quando a prótese entra em discussão mesmo em pacientes jovens
Situações em que a fixação perde a vez
A primeira situação é a fratura descoberta semanas depois, quando o colo já se desgastou e as pontas não encaixam. A segunda é o osso enfraquecido antes do trauma, como na pessoa com artrite reumatoide (inflamação autoimune das articulações). Doença renal crônica, uso prolongado de corticoide e artrose prévia (desgaste da cartilagem) também reduzem a chance de o colo colar.Há ainda a fratura patológica (quebra em osso tomado por tumor ou cisto), em que a prótese substitui o segmento doente. Nesses quadros, a fixação tende a falhar, e a equipe discute a artroplastia já na primeira cirurgia. Como qualquer implante, a prótese pode infeccionar, risco detalhado no texto sobre infecção depois da cirurgia do fêmur.Quando a fixação falha
Depois de uma fixação, a necrose com colapso da cabeça (afundamento da superfície redonda) ou a pseudoartrose persistente podem levar à prótese. Com a cartilagem gasta ou a cabeça deformada, a artroplastia total costuma dar ao jovem o quadril mais estável. Com os anos, o osso ao redor do implante pode quebrar, tema do texto sobre fraturas em volta da prótese.Necrose avascular, pseudoartrose e outras complicações possíveis
Pseudoartrose e falha do implante
Na pseudoartrose, o colo não consolida (não cola) e a dor persiste ou volta depois de alguns meses. O traço vertical do Pauwels III e a redução imperfeita aumentam essa chance. No raio-X, os parafusos podem recuar, entortar ou quebrar.Complicações das primeiras semanas
Logo após a cirurgia, aparecem os riscos de infecção da ferida e de trombose venosa profunda (coágulo nas veias da perna). O coágulo pode migrar e causar embolia pulmonar (entupimento de vaso do pulmão). Febre, secreção na cicatriz, panturrilha inchada ou falta de ar súbita são os sinais dessas complicações.Como os retornos detectam cada problema
Nos retornos, o raio-X mostra se o colo está colando e se os parafusos mantêm a posição. A ressonância magnética flagra a necrose antes de a cabeça afundar, quando o raio-X ainda parece normal. No atleta de corrida, a quebra por sobrecarga segue outro curso, explicado no texto sobre fratura por estresse em corredores.Esta orientação acompanha Diretrizes Brasileiras para o tratamento de fratura, fonte consultada para esta seção.Recuperação, apoio do peso e retorno às atividades
Como a carga é liberada
Nas primeiras semanas, o pé costuma apenas tocar o chão, a chamada carga parcial (apoio leve, sem jogar o peso). Na fratura desviada ou com traço vertical, essa fase tende a durar mais. O cirurgião aumenta o apoio quando o raio-X mostra o colo colando e os parafusos no lugar.Fisioterapia e retorno ao trabalho
A fisioterapia segue em casa ou na clínica, com exercícios para fortalecer glúteos e coxa e treino de marcha (forma de caminhar). Trabalho sentado costuma ser retomado antes do trabalho braçal, que exige o colo consolidado. Dirigir, correr e pular voltam por último, depois de meses e com liberação na consulta.As posições na cama nas primeiras semanas estão em como dormir depois da cirurgia de quadril.Sinais que pedem retorno antes da consulta
Dor na virilha que volta ou piora ao apoiar, depois de semanas de melhora, pode indicar perda de fixação ou necrose avascular. Perna que encurta ou gira para fora, estalo no quadril e uma queda nesse período também pedem avaliação. Os sinais de infecção e de trombose descritos na seção anterior levam ao pronto-socorro no mesmo dia.O Dr. Paulo Afonso, de Ortopedia e Traumatologia, acompanha a recuperação no Instituto Medicina em Foco, em São Paulo. Agende sua consulta para planejar cada etapa do apoio e da fisioterapia. Se o colo demorar a colar, entenda o que acontece quando a fratura do fêmur não cola.Agende sua avaliação com Dr. Paulo Afonso
Consulta com Dr. Paulo Afonso, Ortopedia e Traumatologia, no corpo clínico do Instituto Medicina em Foco, em São Paulo.
Agende sua avaliação com Dr. PauloLigar agora




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