Especialista em colite microscópica | Dra. Sabrina Figueiredo
Por que a diarreia aquosa com exame do intestino normal ainda esconde inflamação visível só no microscópio.
“Muitas pessoas chegam com meses de diarreia aquosa e um exame do intestino descrito como normal. Confiro primeiro se colheram fragmentos para o microscópio. Sem essa amostra, a inflamação passa despercebida.”— Dra. Sabrina de Figueiredo
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- Membro da European Crohn’s and Colitis Organisation (ECCO) · Membro do Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal do Brasil (GEDIIB)
- Gastroenterologia

Quando a diarreia aquosa se arrasta por meses, quero entender a rotina inteira da pessoa antes de pedir qualquer exame novo.— Dra. Sabrina de Figueiredo
Passo a passo
- 1Primeira consultaA conversa mapeia a duração da diarreia, o número de evacuações por dia e os remédios em uso.
- 2Exames iniciaisExames de sangue e de fezes afastam infecções e outras causas comuns de diarreia antes da colonoscopia.
- 3Colonoscopia com biópsiasDurante o exame, retiram-se fragmentos de vários trechos do intestino grosso, mesmo que o revestimento pareça normal.
- 4Resultado e planoO laudo do patologista (médico que analisa os tecidos ao microscópio) define o tipo e orienta o tratamento.
- 5ReavaliaçãoRetornos programados verificam se as evacuações diminuíram e ajustam o tratamento quando os sintomas voltam.
Especialista em colite microscópica: qual médico procurar?
Quando a experiência em endoscopia conta
Temos visto pessoas com colonoscopia recente que precisaram repetir o exame porque nenhum fragmento foi enviado ao laboratório. Quem indica e realiza a endoscopia (exame com câmera flexível no tubo digestivo) já planeja a biópsia antes de começar.Acompanhamento depois do diagnóstico
O plano segue as referências adotadas pela Federação Brasileira de Gastroenterologia para doenças do intestino. Começa pela suspensão de remédios suspeitos e, se a diarreia persiste, inclui a budesonida (corticoide que age sobretudo no intestino). Os retornos medem a resposta e decidem quando reduzir a dose, porque a doença pode voltar após a suspensão.O que levar à primeira consulta
Leve à consulta os laudos de colonoscopia e de biópsia anteriores, além da lista completa de remédios, incluindo os de uso eventual. O material da biópsia anterior pode ser reavaliado por outro patologista, o que às vezes evita repetir o exame.O que é colite microscópica: colagenosa e linfocítica
Forma colagenosa: uma camada a mais
Na forma colagenosa, uma faixa espessa de colágeno (proteína de sustentação) se deposita logo abaixo do epitélio (camada de células da superfície). O patologista (médico que analisa os tecidos) mede essa faixa no laudo, e a espessura acima do habitual confirma o tipo. Acredita-se que essa camada atrapalhe a passagem de água das fezes para o sangue.Forma linfocítica: células de defesa no revestimento
Na forma linfocítica, a faixa de colágeno é normal, mas há excesso de linfócitos (células de defesa) entre as células da superfície. O laudo conta esses linfócitos, e a contagem acima de 20 para cada 100 células da superfície define o tipo. Alguns laudos descrevem formas incompletas, com alterações abaixo desses limites.O que muda no acompanhamento
As duas formas costumam responder ao mesmo tratamento e têm evolução parecida. O especialista em colite microscópica registra o tipo no prontuário para comparar biópsias futuras se a diarreia voltar. O fumo se associa às duas formas, e as orientações da Organização Mundial da Saúde ajudam a deixar o cigarro.
Quem tem mais risco e quais remédios podem desencadear a doença
Condições e hábitos que aumentam a chance
A associação mais estudada é com a doença celíaca, e as duas podem coexistir na mesma pessoa. Também aparecem com mais frequência a tireoidite autoimune (inflamação da tireoide pelo próprio sistema de defesa) e o diabetes tipo 1. Nesses casos, a diarreia aquosa costuma ser atribuída à doença já conhecida, o que atrasa o diagnóstico.O cigarro aumenta o risco e se liga ao aparecimento da doença mais cedo.Remédios associados ao aparecimento
Os gatilhos conhecidos incluem anti-inflamatórios, inibidores da bomba de prótons (remédios para azia, como o omeprazol) e alguns antidepressivos. A revisão sobre epidemiologia e tratamento 2025 também inclui as estatinas (remédios para baixar o colesterol) nessa lista. A mesma revisão orienta suspender ou trocar o remédio suspeito quando possível, sempre com o médico que o prescreveu.O especialista em colite microscópica pergunta quando cada remédio começou, porque a diarreia pode surgir semanas ou meses depois. A melhora depois da suspensão ajuda a confirmar a ligação com o remédio, mas pode levar algumas semanas para aparecer.Anti-inflamatórios e o restante do tubo digestivo
Os anti-inflamatórios também agridem o estômago e o duodeno (primeira parte do intestino delgado), e podem causar úlceras ali. Para dor no alto da barriga com uso frequente desses remédios, veja a avaliação de úlcera no duodeno.Diarreia aquosa que não passa: sintomas que pedem investigação
Sinais que sugerem inflamação
Acordar de madrugada para evacuar sugere inflamação. A síndrome do intestino irritável (distúrbio do funcionamento intestinal, sem inflamação) raramente interrompe o sono. Cansaço, dor leve na barriga e perda discreta de peso também podem acompanhar a diarreia.A diarreia também pode ir e voltar, com semanas de melhora entre as crises. Esse padrão intermitente leva muita gente a adiar a consulta por achar que o problema passou.Sinais que apontam outras causas
Sangue nas fezes, febre, anemia (falta de glóbulos vermelhos) ou emagrecimento acentuado não fazem parte do quadro típico. Esses achados levam o especialista em colite microscópica a buscar outras causas, como infecções e tumores. Dor em queimação no alto da barriga sugere outra origem, e a investigação de úlcera no estômago segue caminho próprio.Quando a diarreia desidrata
Tontura ao levantar, boca seca e urina escura são sinais de desidratação (perda excessiva de água do corpo). Em pessoas idosas, essa perda se instala mais depressa e pode prejudicar o funcionamento dos rins. Quem usa diuréticos (remédios que aumentam a urina) fica ainda mais exposto.A conduta descrita aqui se apoia em material de referência clínica.Por que a colonoscopia pode vir normal e a biópsia decide o diagnóstico
De quais trechos do cólon saem os fragmentos
O guia baseado em evidências sobre 2026 orienta colher fragmentos dos lados direito e esquerdo do cólon (intestino grosso). A recomendação usual é de pelo menos dois fragmentos de cada lado, em frascos separados. Fragmentos só do reto e do sigmoide (trecho final do intestino) podem perder a forma colagenosa, mais irregular.O pedido de exame informa ao patologista que a suspeita é colite microscópica. Sem essa informação, alterações discretas podem passar como inflamação inespecífica no laudo.Quando o exame já foi feito sem biópsia
Uma colonoscopia recente sem fragmentos deixa o diagnóstico em aberto. O especialista em colite microscópica considera a data do exame, a intensidade da diarreia e os remédios em uso.A endoscopia digestiva alta (câmera pela boca até o duodeno) examina outra parte do tubo digestivo, com biópsias próprias. Na suspeita de doença celíaca, os fragmentos do duodeno ajudam a esclarecer a diarreia. É por ela que passa a investigação das úlceras do duodeno, quadro diferente da colite microscópica.Colite microscópica, Crohn, retocolite ulcerativa ou intestino irritável?
O que a colonoscopia mostra em cada doença
Na doença de Crohn, as lesões aparecem em trechos salteados, com úlceras profundas e áreas sadias entre elas. Na retocolite, a inflamação começa no reto (parte final do intestino) e sobe de forma contínua pelo intestino grosso. Ambas costumam trazer sangue nas fezes, dor e, às vezes, febre.Quando a dúvida é intestino irritável
O intestino irritável alterna diarreia e prisão de ventre, e a dor melhora depois de evacuar. A calprotectina fecal (proteína que sinaliza inflamação nas fezes) costuma subir em Crohn e retocolite, e pode vir normal na colite microscópica. Muitas pessoas recebem o diagnóstico de intestino irritável por anos antes de alguém colher uma biópsia.Queixas que vêm do estômago
O especialista em colite microscópica também separa queixas do estômago da diarreia que vem do intestino grosso. Queimação no alto da barriga, que piora em jejum, aponta para outra investigação, como a de úlcera gástrica e seus sinais.Como funciona o tratamento com budesonida e a revisão de medicamentos
Revisão dos remédios suspeitos
O especialista em colite microscópica revisa cada remédio e a data em que começou, e a troca é combinada com quem receitou. O omeprazol às vezes entra num esquema curto contra uma bactéria do estômago e permanece na receita por anos. A avaliação da infecção por Helicobacter pylori no estômago define a duração desse esquema.O diário de evacuações iniciado na primeira consulta mostra se a frequência caiu depois da troca.Budesonida como tratamento de primeira linha
A budesonida (corticoide que age no intestino) é a referência de primeira linha quando a diarreia continua depois da revisão dos remédios. Grande parte do remédio é desativada no fígado, o que reduz os efeitos típicos dos corticoides no restante do corpo. Quem precisa manter remédio para azia discute alternativas com quem trata a doença do refluxo gastroesofágico (ácido que sobe ao esôfago).O papel da alimentação
A alimentação não controla a inflamação, mas alguns itens aumentam a água nas fezes. Cafeína, álcool, leite para quem digere mal a lactose (açúcar do leite) e adoçantes como o sorbitol podem agravar a urgência.Quando a diarreia volta
A diarreia volta em parte das pessoas depois que a budesonida é suspensa. Nesses casos, o plano costuma retomar o remédio e manter a menor dose que controla as evacuações. A conduta descrita aqui se apoia em Microscopic colitis diagnosis and management.Quando a budesonida não resolve: as terapias avançadas
Quais remédios entram depois da budesonida
As terapias avançadas incluem imunobiológicos (remédios feitos a partir de anticorpos), como infliximabe, adalimumabe, vedolizumabe e ustequinumabe. Também entram as pequenas moléculas (comprimidos que bloqueiam sinais da inflamação), como o tofacitinibe e o upadacitinibe. Na colite microscópica, esses remédios são usados fora da bula, porque foram aprovados para Crohn e retocolite.Cada classe tem uma forma de uso própria: infusão na veia, injeção sob a pele ou comprimido diário. Os imunobiológicos reduzem parte da defesa do corpo, e as infecções estão entre os efeitos acompanhados durante o uso.O que mostram os estudos de vida real
Um levantamento sobre a efetividade das terapias avançadas na vida 2026 analisou pessoas que não responderam ou dependiam da budesonida. São dados de tratamento fora de pesquisas controladas, e mostram melhora da diarreia em parte dessas pessoas. Antes de mudar de classe, o especialista em colite microscópica revê o laudo da biópsia e o uso correto do remédio.Quando a queixa vem do estômago
Queimação no alto da barriga, que às vezes surge durante o tratamento, aponta para o estômago e não para o intestino grosso. A investigação segue outro caminho, descrito no texto sobre avaliação com especialista em gastrite.Sinais de alerta que exigem atendimento rápido
Quando a perda de água vira urgência
A perda de água pede atendimento rápido quando a pessoa desmaia, fica confusa ou passa muitas horas sem urinar. Vômitos que impedem beber líquidos também levam ao pronto-socorro, porque a reposição pela boca deixa de funcionar.Em pessoas idosas, a diarreia intensa por poucos dias já pode chegar a esse ponto. Cãibras fortes e coração acelerado podem indicar falta de potássio (mineral que regula músculos e batimentos). O exame de sangue mede esse nível no atendimento.Perda de peso e dor que fogem do padrão
Emagrecer sem fazer dieta, sobretudo quando a balança cai mês após mês, pede investigação antes do retorno marcado. Dor forte e contínua na barriga, com inchaço ou sem eliminar gases, também foge do quadro da colite microscópica. Esse conjunto pode indicar obstrução (bloqueio do intestino) e é avaliado no mesmo dia.Sinais em outras partes do tubo digestivo
Engasgos frequentes ou a sensação de comida parada no peito apontam para o esôfago (tubo entre a garganta e o estômago). Vômito com sangue ou fezes pretas como borra de café indicam sangramento no alto do tubo digestivo. A avaliação da dificuldade para engolir segue outro caminho de investigação.O que está descrito acima segue Microscopic Colitis Evidence Based Guide to 2026, referência usada nesta seção.O que avaliar no médico e como se preparar para a consulta
Critérios para escolher o médico
Vale perguntar como o médico conversa com o patologista quando o laudo vem inconclusivo. Outro ponto é a facilidade de contato entre as consultas, porque a diarreia pode voltar quando o remédio diminui. Também ajuda saber se ele trabalha junto com nutricionista e outros especialistas.O que contar na primeira consulta
Conte quando a diarreia começou e se houve viagem, infecção ou uso de antibiótico pouco antes. Informe também o que já tentou, como probióticos (bactérias benéficas em cápsula), remédios para prender o intestino ou cortes na dieta. Esses dados ajudam a separar uma causa infecciosa da inflamação crônica.Histórico de doença celíaca na família, problemas de tireoide e hábito de fumar entram na conversa, mesmo que pareçam distantes da diarreia. Anote também as perguntas que quer fazer sobre o tratamento e o tempo de resposta. Uma lista escrita evita que dúvidas fiquem para o retorno.Dra. Sabrina de Figueiredo atende em Gastroenterologia com a equipe do Instituto Medicina em Foco, em São Paulo. Para quem também tem azia, o atendimento inclui a avaliação de esofagite de refluxo (inflamação do esôfago causada pelo ácido). Agende a primeira consulta e leve os exames que já tiver.Agende sua avaliação com Dra. Sabrina de Figueiredo
Consulta com Dra. Sabrina de Figueiredo, Gastroenterologia, no corpo clínico do Instituto Medicina em Foco, em São Paulo.
Agende sua avaliação com Dr. SabrinaLigar agora




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