Prótese de quadril de dupla mobilidade: para quem é
Quem tem mais risco de o quadril operado deslocar e como o encaixe com dois pontos de giro muda essa conta.
“Vejo a luxação (a cabeça da prótese saindo do encaixe) voltar sobretudo em quem já operou o quadril antes. Também me preocupa quem tem musculatura fraca ou cai com facilidade.”— Dr. Paulo Afonso
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- Universidade de São Paulo (USP)
- IAMSPE
- Título de Especialista pela SBOT (Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia)
- Sociedade Brasileira do Quadril
- Hospital das Clínicas da FMUSP, Hospital IAMSPE, Instituto Medicina em Foco
- Ortopedia e Traumatologia

No consultório, a dúvida que mais ouço é se o quadril novo pode sair do lugar ao sentar, levantar ou virar na cama.— Dr. Paulo Afonso
Passo a passo
- 1Primeira consultaO ortopedista revê cirurgias anteriores no quadril, quedas recentes e remédios em uso, e testa a força dos glúteos.
- 2Exames de imagemRadiografias da bacia e do fêmur mostram o formato do acetábulo e orientam a escolha do tamanho do implante.
- 3Avaliação pré-operatóriaExames de sangue, eletrocardiograma (registro da atividade elétrica do coração) e avaliação clínica checam se o corpo tolera a anestesia.
- 4Cirurgia e internaçãoO implante é colocado no centro cirúrgico, e a internação costuma durar poucos dias, com fisioterapia ainda no hospital.
- 5Reabilitação em casaExercícios orientados pelo fisioterapeuta fortalecem os glúteos e treinam o equilíbrio para levantar da cadeira e subir escadas.
- 6Reavaliação periódicaNas consultas de retorno, novas radiografias conferem a posição do implante e o desgaste do polietileno ao longo dos anos.
Prótese de quadril de dupla mobilidade: para quem é, em resumo
Perfis que costumam receber esse encaixe
Na primeira artroplastia, uma análise das indicações em cirurgia primária 2025 reúne os grupos com mais chance de luxação. Entram idosos com fratura do colo do fêmur, pessoas com sequela de AVC (derrame cerebral) e pessoas com demência. Também aparece quem fez artrodese lombar (cirurgia que fixa vértebras da coluna), porque a bacia perde mobilidade ao sentar.Por que ela não vale para todo quadril
Em pessoas jovens e ativas, com músculos fortes e primeira cirurgia, o encaixe convencional costuma oferecer estabilidade suficiente. O seguimento de longo prazo da dupla mobilidade nesse grupo ainda é menor que o do modelo convencional. Com glúteos fracos ou em revisão, a escolha cabe a ortopedista com título da Sociedade Brasileira de Ortopedia.Temos visto pacientes pedirem esse modelo por acharem que ele serve para qualquer quadril. A esfera móvel acrescenta uma superfície de atrito, e o polietileno também se desgasta com os anos. Em alguns modelos, uma peça metálica extra dentro da cúpula pode liberar íons metálicos (partículas de metal que chegam ao sangue).Como funciona o implante com dois pontos de articulação
Qual articulação se move primeiro
Nos movimentos do dia a dia, como andar e sentar, o giro acontece primeiro entre a cabeça pequena e a esfera. Quando o pescoço da haste (peça presa ao fêmur) encosta na borda da esfera, ela passa a girar dentro da cúpula. O quadril ganha amplitude antes do impacto (choque do pescoço contra a borda), ponto em que a cabeça tende a escapar.Por que a cabeça grande segura melhor
A esfera de polietileno tem diâmetro próximo ao da cúpula, maior que o das cabeças usadas no modelo convencional. Esse tamanho aumenta a distância de saída (o quanto a cabeça precisa subir para deixar o encaixe). Para luxar, a esfera teria de vencer essa altura inteira, e isso exige mais força que uma torção comum.O guia da Johns Hopkins Medicine cita a luxação entre as complicações possíveis da artroplastia (substituição da articulação por prótese) de quadril. O mesmo material orienta cuidados com alguns movimentos nas primeiras semanas de recuperação. A dupla mobilidade reduz essa chance, e as orientações do ortopedista sobre movimentos continuam valendo.Quando o tecido ao redor é mais frágil
Músculos e cápsula articular (envelope de tecido em volta do quadril) ajudam o implante a ficar no lugar. Na artrite reumatoide (doença autoimune que inflama as articulações), esses tecidos podem estar enfraquecidos pela inflamação e por remédios de uso prolongado. A conversa sobre o encaixe no quadril de quem tem artrite reumatoide leva esse ponto em conta.
Precisar de uma prótese não é o mesmo que precisar de dupla mobilidade
O que pesa além do diagnóstico
O ortopedista soma fatores que a radiografia sozinha não mostra. Entram a força dos músculos do quadril, a rigidez da coluna lombar, o histórico de quedas e a lucidez para seguir orientações. Quanto mais desses fatores se acumulam, maior a chance de o implante deslocar.Fratura e artrose chegam de formas diferentes
Na fratura, a pessoa chega ao centro cirúrgico sem preparo muscular e depois de uma queda que já revela o equilíbrio frágil. Na artrose, o desgaste é lento e a pessoa costuma chegar à cirurgia andando, ainda que com dor.O que a pesquisa mostra sobre os dois modelos
Um estudo em hospital universitário avaliou o uso dos dois modelos em artroplastia 2025 e encontrou segurança com ambos. A escolha do encaixe deve seguir o risco de luxação de cada pessoa, somado ao diagnóstico que levou à cirurgia. Uma fratura em quem anda com firmeza e tem boa força pode receber o encaixe convencional.Situações que não mudam o tipo de encaixe
Usar anticoagulante (remédio que afina o sangue) altera o preparo e o controle de sangramento, sem mudar o tipo de encaixe. O que muda antes da operação está no texto sobre o preparo de quem usa anticoagulante.Situações em que o risco de luxação pesa mais na escolha
Doenças neurológicas e controle do movimento
No Parkinson e na sequela de AVC, o tremor ou a rigidez puxam a perna para posições que a pessoa não controla. A fraqueza de um lado do corpo também tira dos glúteos a força que mantém a cabeça da prótese no encaixe.Quem teve AVC por arritmia (batimento irregular do coração) costuma usar anticoagulante. O cuidado com o sangramento nessa cirurgia está no texto sobre preparo da prótese com anticoagulante.Coluna rígida e bacia que não inclina
Ao sentar, a pelve (bacia) gira para trás e abre espaço para o fêmur dobrar. Com a coluna lombar fixada ou muito rígida, a bacia fica parada, e o pescoço da haste encosta na borda mais cedo. Esse contato funciona como alavanca e pode tirar a cabeça do encaixe, tema detalhado em prótese de quadril após cirurgia na coluna.Quadril já operado antes da prótese
Placas usadas numa fratura antiga ou uma osteotomia (corte no osso para corrigir seu eixo) deixam cicatriz nos músculos. A cápsula e os glúteos, já cortados antes, seguram a prótese com menos firmeza na primeira artroplastia desse lado.O que está descrito acima segue Normas de autorização de prótese total, referência usada nesta seção.Cirurgia de revisão e luxações repetidas da prótese
Quando a prótese já saiu do lugar mais de uma vez
A luxação de repetição costuma ter causa mecânica, como componente mal posicionado ou glúteo médio (músculo lateral do quadril) enfraquecido. A tomografia (exame de imagem em camadas) mostra o ângulo da cúpula e da haste e ajuda a achar a causa.O que a revisão sistemática encontrou
Uma metanálise (estudo que reúne e recalcula os resultados de várias pesquisas) comparou a dupla mobilidade com o encaixe convencional em revisões. Os dados da análise de revisões com dupla mobilidade 2025 apontaram menos luxações no grupo com dois pontos de giro. Com base nesses dados, a dupla mobilidade é uma das opções na troca de prótese que já deslocou.Coração, anestesia e nova cirurgia
Uma revisão costuma durar mais e sangrar mais que a primeira artroplastia, o que pesa em quem tem doença cardíaca. A avaliação do cardiologista antes da troca segue os cuidados de prótese de quadril com doença no coração.Idade, peso e nível de atividade: o que muda na decisão
Peso e obesidade
Em pessoas com obesidade, o tecido da coxa e do abdome pode encostar um no outro ao dobrar o quadril. Esse contato força a cabeça da prótese para fora do encaixe. O peso também dificulta a posição dos componentes durante a cirurgia.Pessoa jovem e ativa: durabilidade
Em pessoas jovens que correm, pedalam ou trabalham em pé, o implante precisa durar décadas. Uma revisão sobre implantes modernos de dupla mobilidade analisou estabilidade, durabilidade e liberação de íons nesses modelos. Nesse grupo, a indicação costuma se limitar a quem também tem outro fator de risco, como cirurgia prévia no quadril.Quando os fatores se somam
Nenhum dos três fatores decide sozinho o tipo de implante. Uma pessoa idosa, com obesidade e pouca atividade, que tem quedas, soma riscos que costumam levar à discussão da dupla mobilidade. Quem usa plano pode ler sobre a autorização em prótese de quadril pela NotreDame.Desvantagens e complicações próprias da dupla mobilidade
Luxação intraprotética
A luxação intraprotética (a cabeça pequena se solta da esfera) ocorre quando a borda que trava a cabeça se gasta. O choque repetido do pescoço da haste (peça presa ao fêmur) contra essa borda acelera o desgaste. Uma manobra forçada para recolocar uma luxação comum também pode causá-la.Na radiografia, a cabeça metálica aparece fora do centro da cúpula. A correção costuma ser cirúrgica, com troca da esfera, em etapas semelhantes às descritas em como é a cirurgia de prótese.Desgaste do polietileno
O polietileno solta partículas microscópicas com o uso. O organismo reage a elas e pode reabsorver o osso, a chamada osteólise (perda de osso em volta do implante). O osso enfraquecido pode soltar a peça ou facilitar uma fratura ao redor da prótese.Liberação de íons metálicos
Alguns modelos usam uma peça metálica modular (encaixada dentro da cúpula, e não fundida a ela). O atrito entre as duas peças metálicas pode causar corrosão e elevar cobalto e cromo no sangue. Modelos de peça única não têm essa fonte de íons (partículas de metal).Complicações de qualquer prótese de quadril
Infecção, trombose (coágulo nas veias da perna), diferença no comprimento das pernas e fratura durante a cirurgia podem ocorrer com qualquer modelo. A luxação comum continua possível, sobretudo com a bacia rígida, tema de prótese em quem já operou a coluna.O que está descrito acima segue Hip Replacement Surgery, referência usada nesta seção.Recuperação e cuidados com o novo quadril
Movimentos que pedem atenção nos primeiros meses
Dobrar muito o quadril, cruzar as pernas e girar o pé para dentro são os movimentos que mais forçam o encaixe. As orientações variam com a via de acesso (o lado por onde o cirurgião chegou ao quadril) e com o modelo usado. Mancar nas primeiras semanas é comum; veja quando mancar após a prótese preocupa.Muita gente acredita que a dupla mobilidade libera esses movimentos desde o primeiro dia. O encaixe tolera mais amplitude, e o ortopedista ainda define quando cada posição volta à rotina.Quedas, casa e retorno à rotina
Tapetes soltos, fios no chão e banheiro sem barra de apoio aumentam o risco de queda. Cadeira firme com braços, assento de vaso elevado e luz noturna no corredor facilitam levantar sem torcer a perna.Quem tem doença cardíaca e usa remédios para pressão pode sentir tontura ao levantar, o que aumenta o risco de cair. Os ajustes desse período estão no texto sobre prótese em quem tem doença cardíaca.Antes da alta, vale conferir com o plano como ficam as sessões de fisioterapia em casa. Para quem tem Cassi, as regras da cirurgia e da internação estão em autorização da prótese pela Cassi.O que levar para a conversa com o cirurgião de quadril
Perguntas sobre o implante escolhido
Pergunte qual fator de risco levou à indicação da dupla mobilidade, ou por que o modelo convencional basta no seu quadril. Vale saber se o modelo tem peça única ou modular (com uma peça metálica extra dentro da cúpula). Pergunte também quantas vezes a equipe usa esse implante e como acompanha o desgaste do polietileno.O que levar no dia da consulta
Leve as radiografias e tomografias antigas, os laudos e o relatório de cirurgias anteriores no mesmo quadril. A lista de remédios em uso e o número de quedas no último ano completam o quadro.Quando houve fratura na bacia
A fratura do acetábulo (a cavidade da bacia onde encaixa o fêmur) pode deixar osso irregular e placas no lugar. Nesse caso, pergunte como o osso será preparado para fixar a cúpula e se haverá enxerto (osso usado para preencher falhas). O momento de operar aparece no texto sobre quando operar a fratura do acetábulo.Agende uma consulta com o Dr. Paulo Afonso, de Ortopedia e Traumatologia, no Instituto Medicina em Foco, em São Paulo. Antes, confira os exames antes da prótese de quadril e leve os resultados.Agende sua avaliação com Dr. Paulo Afonso
Consulta com Dr. Paulo Afonso, Ortopedia e Traumatologia, no corpo clínico do Instituto Medicina em Foco, em São Paulo.
Agende sua avaliação com Dr. PauloLigar agora




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