Especialista em diverticulite | Dra. Sabrina Figueiredo
Como saber quando a dor do intestino pede um especialista e o que essa escolha muda no tratamento.
“Muitas pessoas chegam até mim após várias crises de diverticulite (inflamação de pequenas bolsas na parede do intestino) tratadas só no pronto-socorro. Raramente alguém conversou com elas sobre alimentação e intestino preso.”— Dra. Sabrina de Figueiredo
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- Membro da European Crohn’s and Colitis Organisation (ECCO) · Membro do Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal do Brasil (GEDIIB)
- Gastroenterologia

No consultório, a pergunta que mais ouço é se a dor vai voltar. Minha resposta depende de entender o intestino de cada pessoa.— Dra. Sabrina de Figueiredo
Passo a passo
- 1Primeira consultaO médico ouve o histórico das crises, examina a barriga e pede os exames que ainda faltam.
- 2Tomografia de abdomeA tomografia de abdome mostra se a inflamação trouxe complicação, como abscesso ou perfuração (furo na parede do intestino).
- 3Fibras e águaFibras, água e atividade física entram aos poucos, com metas que cabem na rotina de cada pessoa.
- 4ColonoscopiaA colonoscopia (exame que olha o intestino por dentro) é feita semanas após a crise, se o médico indicar.
- 5RetornosNos retornos, o especialista revê sintomas, intestino e dieta, e combina o intervalo até a próxima consulta.
Especialista em diverticulite: qual médico procurar primeiro
Quando o pronto-socorro vem primeiro
Febre alta, dor forte e contínua do lado esquerdo da barriga ou vômitos que não param levam direto ao pronto-socorro. Nessas situações, esperar a data da consulta atrasa o tratamento da crise. Passada a fase aguda, o acompanhamento volta para o gastroenterologista.Quando o cirurgião entra no caso
O coloproctologista ou o cirurgião do aparelho digestivo entra quando surge perfuração ou abscesso que não melhora. Crises que se repetem e atrapalham a rotina também levam à conversa sobre cirurgia programada, fora da crise. Essa decisão é avaliada caso a caso, em linha com as orientações do Colégio Brasileiro de Cirurgiões.Na rotina clínica, a decisão fica mais clara quando gastroenterologista e cirurgião revisam juntos as tomografias e o histórico de crises.Diverticulite, diverticulose e doença diverticular: o que cada termo significa
Quando a bolsa inflama: diverticulite
A diverticulite (inflamação de pequenas bolsas no intestino) começa quando um ou mais divertículos inflamam ou infeccionam. Surgem dor no lado esquerdo baixo da barriga, febre e mudança no ritmo do intestino. O material da Johns Hopkins Medicine sobre doença diverticular separa os dois quadros dessa forma.Doença diverticular e a escolha do médico
Doença diverticular é o nome amplo, que inclui crises de diverticulite e sintomas sem inflamação, como cólica e inchaço. O sangramento diverticular (sangue vivo nas fezes vindo de um divertículo) também entra nesse grupo.Saber em qual termo o caso se encaixa orienta o especialista em diverticulite na escolha dos exames e da frequência dos retornos. Quem tem só diverticulose costuma seguir com cuidados de rotina.
Sintomas que levam a pensar em uma crise de diverticulite
Outras causas de dor no lado esquerdo
Pedra no rim, infecção urinária e gases presos também doem do lado esquerdo e podem imitar a crise. Em mulheres, cisto de ovário (bolsa com líquido no ovário) entra na lista. A colite isquêmica (inflamação por falta de sangue no intestino) e o câncer colorretal (do intestino grosso) são outras possibilidades investigadas.Queimação na parte de cima da barriga, ligada às refeições, aponta para o estômago ou o duodeno (início do intestino delgado). Esse padrão combina mais com sintomas da úlcera duodenal (ferida no duodeno) do que com divertículos.Sinais que separam a crise de uma cólica comum
Dor que alivia depois de evacuar ou soltar gases, sem febre, costuma ter outra origem. O especialista em diverticulite separa esses quadros pelo exame da barriga, pelo histórico de crises e pelo hemograma (exame de sangue). Sangue nas fezes ou perda de peso sem motivo ampliam a investigação.Para escrever esta parte consultamos material de referência clínica.Sinais de alerta: quando ir direto ao pronto-socorro
Quando o intestino trava ou sangra
Barriga inchada, vômitos e ausência de gases e fezes sugerem obstrução. Sangue vivo em grande volume, com tontura ou desmaio, indica perda de sangue que precisa de avaliação imediata. Quem não consegue beber água sem vomitar também precisa de atendimento no mesmo dia.Dor parecida que vem de outro órgão
Dor súbita e intensa no alto da barriga lembra úlcera perfurada (ferida no estômago que furou a parede). Esse quadro também é urgência, e o acompanhamento depois fica com um especialista em úlcera gástrica em São Paulo. Após a alta de uma crise complicada, o especialista em diverticulite revê a tomografia e planeja os retornos.Para escrever esta parte consultamos Divertículo de colon.Gastroenterologista ou coloproctologista: como decidir
Quando o coloproctologista faz mais sentido
O coloproctologista é a referência quando a cirurgia já entrou na conversa ou quando a doença se mistura a queixas do ânus. Hemorroida (veia dilatada no ânus) e fissura anal (pequeno corte na pele do ânus) costumam piorar com o intestino preso. A fístula (canal anormal entre o intestino e a bexiga) também é tratada por ele.Como organizar a escolha
Quem está escolhendo um especialista em diverticulite pode começar pelo gastroenterologista quando ainda não houve cirurgia proposta. Se o exame mostrar complicação, ele encaminha ao cirurgião e segue cuidando da dieta e do intestino. Um único médico de referência evita receitas conflitantes e mantém o histórico das crises em um só lugar.Exames que confirmam a diverticulite e avaliam a gravidade
Tomografia e classificação de Hinchey
Na tomografia de abdome, o radiologista descreve a inflamação e a classifica pela escala de Hinchey (graus de gravidade da diverticulite). Os graus mais baixos indicam inflamação localizada, e os mais altos indicam abscesso ou peritonite (inflamação da membrana do abdome). Quando a tomografia não está disponível, o ultrassom de abdome ajuda em parte dos casos.Por que a colonoscopia espera a crise passar
Com o intestino inflamado, o ar e o aparelho da colonoscopia aumentam o risco de perfuração. O exame costuma ser feito semanas depois para afastar câncer colorretal e pólipos (pequenos crescimentos na parede do intestino). A endoscopia (exame que olha esôfago, estômago e duodeno) entra junto quando há queimação, como no acompanhamento da úlcera gástrica.Para escrever esta parte consultamos material de referência clínica.Tratamento clínico: repouso intestinal, dieta, analgésicos e antibióticos
Quando o antibiótico entra e quando fica de fora
Diretrizes recentes aceitam tratar sem antibiótico a crise leve em quem tem boa imunidade e é acompanhado de perto. Febre alta, imunidade baixa, idade avançada ou sinais de infecção no sangue levam o médico a prescrevê-lo. O uso sem critério favorece bactérias resistentes, cuidado que também orienta o tratamento da infecção por Helicobacter pylori.Analgésico, dieta e retorno
Anti-inflamatórios, como ibuprofeno e diclofenaco, estão ligados a mais crises e a complicações dos divertículos. Quando a dor some, as fibras voltam ao prato aos poucos, junto com mais água. No retorno, o especialista em diverticulite confirma a melhora e decide se a colonoscopia já pode ser marcada.Piora da dor, febre persistente ou vômitos durante o tratamento em casa levam à reavaliação no mesmo dia, às vezes com internação. No hospital, soro e medicação pela veia substituem a via oral até o intestino acalmar.A conduta descrita aqui se apoia em Divertículo de colon.Quando a cirurgia entra em cena e quem a realiza
Drenagem do abscesso
Um abscesso pequeno costuma secar com antibiótico. Quando ele é maior, entra a drenagem percutânea (retirada do pus por agulha guiada pela tomografia). Ela evita a cirurgia de urgência e permite operar depois, com o intestino calmo.A retirada do trecho doente
A cirurgia mais comum é a sigmoidectomia (retirada do sigmoide, a última curva do intestino grosso), local da maioria das crises. Em cirurgia programada, ela costuma ser feita por videolaparoscopia (cirurgia por pequenos cortes, com câmera). As pontas do intestino são costuradas na mesma operação.Na perfuração com peritonite, a cirurgia é urgente e pode incluir colostomia (abertura do intestino na barriga, com bolsa). Costuma ser temporária, e outra operação religa o intestino meses depois.Quem opera e quem acompanha
Quem opera é o coloproctologista ou o cirurgião do aparelho digestivo. Nas crises repetidas sem complicação, pesa o impacto na rotina, não um número de episódios. O especialista em diverticulite (inflamação de pequenas bolsas no intestino) leva o histórico e as tomografias para essa conversa.Após a alta, os retornos voltam ao gastroenterologista, que também conduz a avaliação especializada da gastrite (inflamação do estômago).Esta seção foi revisada contra fonte clínica desta seção.Depois da crise: acompanhamento e prevenção de novos episódios
O que muda no prato
Castanhas, sementes e pipoca eram proibidas por receio de entupir os divertículos, ideia que estudos de acompanhamento não confirmaram. Hoje esses alimentos costumam continuar no cardápio, quando bem tolerados. Dieta rica em carne vermelha e pobre em fibras aparece associada a mais crises.Hábitos que reduzem o risco
Tabagismo, sedentarismo e excesso de peso também aparecem ligados a crises mais frequentes e mais graves. Caminhar com regularidade e parar de fumar entram no plano, em metas combinadas a cada retorno. Quem vive com obesidade ganha com a perda gradual de peso, acompanhada por nutricionista quando necessário.Remédios e sinais que antecipam o retorno
Dor que volta, febre ou sangue nas fezes antecipam o retorno. Mesalazina (anti-inflamatório que age no intestino) e probióticos foram estudados para evitar novas crises, sem benefício claro até aqui. Queixas em outras partes do tubo digestivo seguem investigação própria, como na avaliação especializada da disfagia (dificuldade para engolir).Como se preparar para a consulta
Exames e documentos para levar
Laudos e imagens da tomografia de abdome (exame de imagem em cortes) mostram a gravidade das crises anteriores. O hemograma (exame de sangue) e a PCR (proteína C reativa, marcador de inflamação) indicam como a infecção evoluiu. A colonoscopia (exame que avalia o intestino grosso por dentro) já feita entra na pasta, com o laudo completo.O que anotar antes de sair de casa
Uma lista com nome e horário dos remédios em uso evita dúvidas, sobretudo anti-inflamatórios, anticoagulantes (remédios que afinam o sangue) e laxantes. Vale anotar também o ritmo do intestino, a presença de sangue nas fezes e a data de cada crise.Perguntas para a consulta
Boas perguntas incluem quando fazer a colonoscopia, o que muda na alimentação e quais sinais pedem pronto-socorro. Um acompanhante ajuda a guardar as respostas.A Dra. Sabrina de Figueiredo atende em Gastroenterologia no Instituto Medicina em Foco, em São Paulo, e recebe pacientes com doença diverticular. Quem também tem azia recebe orientação na mesma consulta, como na avaliação da esofagite de refluxo (inflamação do esôfago pelo ácido). Agende a sua consulta e leve os exames reunidos.Agende sua avaliação com Dra. Sabrina de Figueiredo
Consulta com Dra. Sabrina de Figueiredo, Gastroenterologia, no corpo clínico do Instituto Medicina em Foco, em São Paulo.
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