Fratura por estresse no colo do fêmur em corredor | São Paulo
Por que a dor na virilha de quem corre pede imagem antes do próximo treino, e não só repouso.
“Dor na virilha que surge no fim do treino e alivia no repouso me faz pensar em fratura por sobrecarga. Peço ressonância magnética (exame de imagem sem radiação) cedo, pois o raio-x costuma vir normal.”— Dr. Paulo Afonso
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- Universidade de São Paulo (USP)
- IAMSPE
- Título de Especialista pela SBOT (Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia)
- Sociedade Brasileira do Quadril
- Hospital das Clínicas da FMUSP, Hospital IAMSPE, Instituto Medicina em Foco
- Ortopedia e Traumatologia

Quando um corredor conta que a virilha dói há semanas e segue treinando, interrompo a planilha de treinos antes de tudo.— Dr. Paulo Afonso
Passo a passo
- 1Avaliação inicialO ortopedista examina o quadril, testa o apoio e a rotação e investiga treino, alimentação e histórico hormonal.
- 2Exame de imagemA ressonância magnética mostra a trinca e revela se ela está no lado de tensão ou de compressão do colo.
- 3Plano individualCom o laudo, o ortopedista define o grau de proteção do quadril conforme a localização e o tamanho da trinca.
- 4Investigação ósseaExames de sangue e densitometria (exame que mede a densidade dos ossos) avaliam a vitamina D e a saúde óssea.
- 5ReavaliaçãoNovas consultas acompanham a dor ao apoiar o pé e checam em exame de imagem se o osso cicatrizou.
- 6Retorno gradualCom a consolidação confirmada, a volta à corrida segue etapas graduais, com volume ajustado à resposta do quadril.
Fratura por estresse no colo do fêmur em corredor: por que a dor na virilha não deve ser testada com mais corrida
Como a trinca evolui para fratura completa
Cada treino sobre um osso já trincado aprofunda a falha em vez de fortalecê-lo. A trinca pode atravessar todo o colo e se deslocar, às vezes num movimento banal, como descer um degrau. Nesse ponto, a lesão deixa de ser de sobrecarga e passa a ser uma fratura completa do quadril.Por que a dor não é um teste confiável
A dor da fratura por sobrecarga oscila e alivia com o repouso, o que dá falsa sensação de melhora. Correr para testar o quadril apenas soma carga a um osso que ainda não cicatrizou. Dor persistente no quadril de quem corre pede exame com ortopedista, especialidade representada pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia.O que muda na conduta conforme o tipo de trinca
Na trinca do lado de compressão, o tratamento costuma ser conservador (sem cirurgia), com suspensão da corrida e apoio com muletas. No lado de tensão, a fixação com parafusos (cirurgia que estabiliza o osso) costuma ser indicada pelo risco de desvio. Uma revisão de casos em corredores recreativos descreve essas duas linhas de conduta.A decisão depende da ressonância e do exame físico, nunca da tolerância à dor durante o treino.Quais sinais de dor no quadril e na virilha levantam a suspeita
O que a diferencia de uma dor muscular
A distensão muscular (lesão nas fibras do músculo) costuma começar de forma súbita, numa arrancada, e melhora dia a dia. A dor óssea faz o caminho inverso: começa discreta e piora com a carga acumulada. Ela também pode surgir à noite, em repouso, e levar o corredor a mancar sem perceber.Sinais de trinca mais avançada
Mancar ao caminhar, não conseguir apoiar o peso sobre a perna ou sentir dor ao virar na cama indicam trinca mais avançada. Nessa fase, o risco de desvio aumenta e a necrose avascular deixa de ser uma possibilidade distante. Corredoras com ciclo menstrual irregular e treino intenso merecem atenção redobrada, pela ligação com a deficiência energética relativa no esporte.O exame que reforça a suspeita
No exame físico, a dor ao girar o quadril para dentro e ao saltar sobre a perna afetada reforça a suspeita. O teste do salto (pular repetidas vezes num pé só) costuma reproduzir a dor na virilha. Referências do National Institutes of Health sobre fraturas orientam suspender o impacto e confirmar o diagnóstico por imagem.Em quem já tem prótese de quadril, dor após queda sugere outro quadro: a fratura ao redor da prótese.
Quando parar de correr e o que fazer até a consulta
Sinais que pedem pronto-socorro
Dor súbita e forte no quadril durante a corrida, sobretudo com estalo, sugere que a trinca se completou. Não conseguir apoiar o pé no chão ou ficar com a perna encurtada e virada para fora reforça essa hipótese. Esse quadro pede pronto-socorro no mesmo dia; o tratamento é discutido em prótese ou parafuso na fratura do colo.Como proteger o quadril até a avaliação
Até o exame, caminhadas longas, escadas repetidas, saltos e musculação para as pernas ficam suspensos. Se a dor aparece ao caminhar, muletas aliviam a carga sobre o colo do fêmur. A escolha entre tratamentos do quadril, como em terapia regenerativa ou prótese de quadril, sempre parte do diagnóstico por imagem.O que levar para a consulta
Anotar o volume semanal de treino, as mudanças recentes de tênis ou terreno e o padrão da dor ajuda o ortopedista. Para corredoras, a data da última menstruação e a regularidade do ciclo completam o histórico. Exames de imagem anteriores, mesmo um raio-x normal, também entram na pasta.Lado de compressão ou lado de tensão: por que a localização muda tudo
O lado de compressão: a trinca que tende a se fechar
No lado de compressão (borda inferior do colo), a própria carga empurra as bordas da trinca uma contra a outra. Esse aperto favorece a cicatrização e reduz a chance de a rachadura avançar. Por isso, esse tipo costuma ter evolução mais previsível quando o impacto é retirado a tempo.O lado de tensão: a trinca que tende a abrir
No lado de tensão (borda superior do colo), cada passada afasta as bordas da trinca em vez de aproximá-las. A rachadura pode avançar pelo colo até se completar e deslocar o osso.O desvio é o ponto crítico porque os vasos que nutrem a cabeça do fêmur passam justamente por essa região. Se eles se rompem, aumenta o risco de necrose avascular. Nos casos avançados, a cirurgia pode chegar à substituição da articulação, tema de prótese de quadril pelo convênio NotreDame.Como a ressonância define o lado
A ressonância magnética mostra em qual borda está a trinca e quanto ela já atravessou do colo. Uma trinca de compressão extensa também ganha risco maior de progressão. Edema ósseo (inchaço dentro do osso) sem linha de fratura indica fase mais inicial da sobrecarga.Em ambos os lados, osso pouco denso trinca com cargas menores. Essa fragilidade também aparece na coluna, tema do texto sobre quando a vértebra fraturada precisa de cirurgia.Por que a radiografia pode vir normal e qual exame confirma a lesão
Quando a ressonância magnética entra em cena
A ressonância magnética (exame de imagem detalhado sem radiação) detecta o edema ósseo já na fase inicial da sobrecarga. Ela também mostra a linha da trinca, sua extensão e a borda do colo atingida. Com dor suspeita e raio-x normal, a ressonância costuma ser indicada logo, como na investigação de dor no quadril após uma queda.Outros exames que podem complementar
A cintilografia óssea (exame com marcador radioativo que mapeia áreas de osso ativo) também acusa a sobrecarga cedo, mas é pouco específica. Ela serve de opção quando a ressonância não é possível, como em alguns tipos de marca-passo. A tomografia computadorizada (raio-x em cortes finos) ajuda a ver a linha de fratura e o calo em formação.Por que o diagnóstico cedo faz diferença
A ressonância também orienta o acompanhamento, mostrando se o osso cicatrizou antes da volta aos treinos. Quando a trinca passa despercebida e se desloca, o tratamento pode chegar à prótese de quadril. Nesse cenário, saber quanto custa uma prótese de quadril particular ajuda a comparar com o valor de um diagnóstico precoce.O que está descrito acima segue Lateral femoral neck stress fractures A case, referência usada nesta seção.Muletas, descarga de peso ou parafuso: como se decide o tratamento
Quando a proteção de carga resolve
Trincas pequenas no lado de compressão, sem desvio, tendem a cicatrizar com descarga de peso (tirar o apoio da perna). As muletas acompanham a fase em que caminhar ainda dói. Com o alívio, o apoio volta de forma progressiva, sempre guiado pelo exame.O acompanhamento por imagem, com novas ressonâncias ou radiografias, mostra se o calo ósseo já se formou. A dor costuma sumir antes da cicatrização completa, por isso o laudo pesa mais que a sensação.Quando o parafuso entra no plano
No lado de tensão, a fixação com parafusos canulados (parafusos ocos guiados por fio) costuma ser indicada. Trincas extensas no lado de compressão, ou que avançam apesar da descarga, entram na mesma indicação. O objetivo é evitar o desvio e o desgaste precoce, tema de artrose no quadril após uma fratura.Quando a fratura já se deslocou, a abordagem passa a ser de urgência, para tentar preservar a circulação da cabeça do fêmur. A cirurgia é feita com fluoroscopia (raio-x em tempo real) e, em geral, por pequenos cortes.O que pesa na decisão além da imagem
Densidade óssea baixa, deficiência energética relativa no esporte e trinca que não responde à descarga também pesam na balança. A decisão é revista a cada reavaliação, conforme o osso responde.O que está descrito acima segue Lateral femoral neck stress fractures A case, referência usada nesta seção.Treino, energia e saúde óssea: o que aumenta o risco em corredores
Aumento brusco de volume
Subir a quilometragem de uma vez ou trocar o asfalto por subidas concentra impacto no colo do fêmur. Treinos de tiro (trechos curtos em velocidade máxima), preparação para maratona e volta após pausa longa entram na mesma lista. O músculo ganha condicionamento antes do osso e esconde esse limite por semanas.Pouca energia para o treino (RED-S)
A RED-S (sigla em inglês da deficiência energética relativa no esporte) surge quando a alimentação não cobre o gasto do treino. O corpo economiza energia, reduz hormônios que protegem o esqueleto e desacelera a formação de osso novo. Dietas restritivas, jejum prolongado e perda de peso rápida antes de provas são gatilhos comuns.Ciclo menstrual e densidade óssea
Nas corredoras, a amenorreia (ausência de menstruação por três meses ou mais) é o sinal mais visível dessa falta. A queda do estrogênio (hormônio que preserva a massa óssea) acelera a perda de densidade mineral óssea. Nos homens, a queda da testosterona por déficit energético tem efeito semelhante sobre o osso.A osteopenia (densidade óssea abaixo do esperado, ainda sem osteoporose) faz o osso trincar com cargas menores. Vitamina D baixa e pouco cálcio na dieta somam fragilidade ao mesmo quadro. Um osso nessas condições também cicatriza mais devagar, cenário discutido em quando a fratura do fêmur não consolida.Para escrever esta parte consultamos Lateral femoral neck stress fractures A case.Retorno à corrida: critérios para voltar sem recair
Os sinais que marcam a hora do primeiro trote
Três sinais costumam marcar esse momento quando aparecem juntos. O primeiro é caminhar e saltar num pé só sem dor na virilha. O segundo é a consolidação (osso já cicatrizado) vista na ressonância magnética (exame de imagem detalhado sem radiação) ou na radiografia.O terceiro é a força do quadril parecida nos dois lados. O ponto-chave é o glúteo médio (músculo lateral que estabiliza a pelve na passada). Fraqueza nesse músculo desloca mais carga para o colo do fêmur a cada apoio.Como a carga volta em etapas
A progressão de impacto costuma seguir etapas: caminhada rápida, depois trote alternado com caminhada e, por fim, corrida contínua em terreno plano. Cada etapa só avança se o quadril atravessa o dia seguinte sem dor na virilha. O fortalecimento segue em paralelo, com atenção a lesões associadas, como a ruptura do tendão do glúteo médio.Velocidade, subidas e treinos de tiro entram por último, depois que o volume em plano se mantém estável por algumas semanas. Dor na virilha em qualquer fase faz o plano recuar uma etapa. Um déficit de energia não corrigido mantém o risco de nova trinca, até no quadril oposto.Para montar um retorno com reavaliação a cada etapa, agende uma consulta com o Dr. Paulo Afonso, de Ortopedia e Traumatologia. O atendimento é no Instituto Medicina em Foco, em São Paulo. Se a trinca já se deslocou, conheça as opções entre prótese e parafuso.Agende sua avaliação com Dr. Paulo Afonso
Consulta com Dr. Paulo Afonso, Ortopedia e Traumatologia, no corpo clínico do Instituto Medicina em Foco, em São Paulo.
Agende sua avaliação com Dr. PauloLigar agora




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