Rizotomia em São Paulo: o que é, mitos e quando é indicada
Por que a imagem decide pouco na rizotomia e o bloqueio de teste decide quase tudo.
“Muita gente chega com a ressonância na mão achando que o desgaste explica tudo. Quem decide mesmo é o teste anestésico. Se a dor não cede ali, a origem não está na faceta e eu não indico o procedimento.”— Dr. Pedro Correa
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- Título de Especialista em Ortopedia e Traumatologia pela SBOT
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- Membro Titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT)
- Membro da Sociedade Brasileira de Coluna (SBC)
- Instituto Medicina em Foco | Corpo Clínico dos Hospitais Albert Einstein, Alemão Oswaldo Cruz e Nove de Julho.
- Ortopedista especialista em coluna

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Atendo toda semana pacientes que já tentaram fisioterapia, remédio e infiltração sem alívio duradouro. Muitos chegam com medo de queimar o nervo e ficar com sequela na perna. Explico que o alvo é um nervo fino, apenas sensitivo, e que o teste anestésico vem antes de qualquer decisão.— Dr. Pedro Correa
Quem convive com dor lombar há meses costuma ouvir falar em rizotomia depois que fisioterapia e medicação já não sustentam o alívio. Nas redes sociais, o mesmo procedimento aparece ora como solução mágica, ora como risco de paralisia. Nenhum desses dois extremos descreve o que acontece na sala.
A ordem dos passos importa mais do que a técnica escolhida. Primeiro se prova de onde vem a dor, depois se decide desligar o nervo. Na prática clínica do consultório, a maioria chega com essa sequência invertida: trouxe a ressonância, mas nunca fez o bloqueio de teste.
Passo a passo
- 1Avaliação
Exame físico dirigido e revisão do que já foi tentado no tratamento.
- 2Imagem
Ressonância magnética (exame de imagem detalhado, sem radiação) ou tomografia para mapear a articulação.
- 3Bloqueio-teste
Anestésico no ramo medial para provar a origem facetária da dor.
- 4Procedimento
Aplicação guiada por imagem, com sedação leve e alta no mesmo dia.
- 5Reabilitação
Fisioterapia na janela sem dor para prolongar o intervalo de alívio.
- 6Retorno
Reavaliação em quatro a seis semanas para medir a resposta obtida.
O que é rizotomia e o que ela realmente desliga
O nervo interrompido tem nome e endereço: chama-se ramo medial (nervinho que conduz a dor da junta da coluna). Ele não comanda força nem sensibilidade do membro. No consultório, observamos que essa distinção derruba boa parte do medo trazido da internet. Quando o alvo está correto, a perna continua funcionando igual.
Onde fica a articulação que dói
Cada par de vértebras se encaixa por trás em uma junta pequena, a articulação facetária ou zigapofisária (a dobradiça posterior da coluna). Ela desgasta com o tempo, inflama e dói. O padrão típico é dor nas costas que piora ao inclinar o tronco para trás e ao ficar muito tempo em pé. Esse desenho de sintoma é o que o ortopedista especialista em coluna procura antes de cogitar qualquer agulha.
Desligar o fio, não cortar o cabo
Vale pensar no ramo medial como o fio que leva o aviso de dor até o quadro elétrico. A rizotomia desliga apenas esse fio. O restante da instalação segue intacto, inclusive os nervos de força. A descrição técnica do procedimento no acervo científico do NIH segue exatamente essa lógica de alvo seletivo.
Mitos sobre rizotomia que circulam nas redes
Os três boatos mais repetidos na consulta caem quando se olha o que cada procedimento faz. Eles se espalham porque misturam palavras parecidas: rizotomia, rizotomia dorsal seletiva e cirurgia de coluna são coisas diferentes. O texto abaixo separa cada uma delas.
Mito 1: queima o nervo e deixa sequela
O calor aplicado é controlado e fica restrito a poucos milímetros do ramo medial. Como esse ramo é apenas sensitivo, não há comando motor a perder. Perda de força após o procedimento aponta alvo errado, não consequência esperada. Materiais de orientação ao paciente sobre dor nas costas do MedlinePlus descrevem o mesmo perfil de risco.
Mito 2: é cirurgia de coluna com corte e parafuso
Não há corte, não há material implantado e não há fusão de vértebras. A agulha entra pela pele guiada por imagem e sai no mesmo dia. Quem compara o procedimento com uma artrodese está falando de duas coisas distintas. Vale entender antes a diferença entre agulha e infiltração guiada na coluna.
Mito 3: resolve qualquer dor nas costas
Esse é o boato mais caro para o paciente. A técnica só age na dor que nasce na faceta. Dor de hérnia de disco, dor muscular e dor irradiada para a perna têm outra origem e outro tratamento. Prometer alívio universal é o que gera a frustração que vemos depois.

Quando a rizotomia é indicada e quando não é
Três condições precisam coexistir antes da indicação. A primeira é dor axial nas costas por mais de três meses. A segunda é falha de fisioterapia, exercício orientado e medicação. A terceira é a confirmação de que a dor vem mesmo da faceta.
O critério que costuma ser pulado
Artrose facetária aparece em boa parte das ressonâncias depois dos quarenta anos, inclusive em quem não sente nada. Por isso a imagem sozinha não indica nada. O consenso internacional sobre intervenções na dor facetária lombar coloca o teste anestésico como condição de entrada, e não como etapa opcional.
Quem não é candidato
- Dor que desce pela perna abaixo do joelho, típica de raiz comprimida.
- Infecção ativa na pele do local ou quadro febril em investigação.
- Distúrbio de coagulação não controlado ou anticoagulante sem ajuste.
- Bloqueio de teste negativo, mesmo com artrose evidente na imagem.
Quando a dor desce pela perna, a investigação muda de rota e passa pela compressão da raiz nervosa.
O bloqueio de teste que define o diagnóstico
O teste é simples e decisivo. Aplica-se anestésico local no ramo medial e mede-se a resposta nas horas seguintes. Alívio expressivo indica que a faceta é mesmo a fonte da dor. Alívio pequeno ou nulo muda o rumo da investigação.
Por que muitos serviços repetem o teste
Uma única aplicação carrega taxa relevante de resposta falso-positiva, por efeito placebo ou dispersão do anestésico. Repetir o bloqueio com anestésicos de duração diferente reduz esse ruído. Uma auditoria de prática clínica sobre a progressão do bloqueio para a rizotomia trata dessa etapa. Ela mostra o quanto o teste muda a seleção dos pacientes.
Como o teste é conduzido
O paciente registra a dor antes e depois, em uma escala de zero a dez. O corte usual de resposta positiva fica em torno de oitenta por cento de alívio no período de ação do anestésico. Esse registro escrito vale mais que a lembrança da consulta seguinte. O procedimento de teste é o mesmo usado na abordagem da dor lombar crônica em geral.
Tipos de rizotomia: radiofrequência, química e seletiva
Escolher a técnica é consequência do diagnóstico, nunca preferência de agenda. A radiofrequência convencional domina a dor facetária. As demais atendem cenários bem diferentes, inclusive fora da ortopedia. A tabela abaixo resume o que muda entre elas.
| Técnica | Alvo | Cenário típico | Duração do efeito |
|---|---|---|---|
| Radiofrequência convencional | Ramo medial | Dor facetária lombar ou cervical crônica | Seis a doze meses |
| Radiofrequência pulsada | Nervo, sem calor lesivo | Dor com componente neuropático | Costuma ser mais curta |
| Neurólise química, com fenol ou álcool | Nervo ou raiz sensitiva | Espasticidade e dor oncológica | Variável, meses |
| Rizotomia dorsal seletiva | Raízes sensitivas, em cirurgia aberta | Espasticidade grave, sobretudo na paralisia cerebral | Definitiva por secção |
A confusão mais comum
A rizotomia dorsal seletiva costuma ser confundida com a de radiofrequência por causa do nome. Ela é uma cirurgia aberta, feita por neurocirurgia, para reduzir espasticidade (rigidez muscular involuntária). Uma revisão recente sobre a rizotomia dorsal na paralisia cerebral trata de um universo clínico distinto. A dor facetária tem outro alvo, como mostra o material sobre paralisia cerebral do MedlinePlus.
Cervical, torácica ou lombar
O mesmo princípio se aplica nos três segmentos, com anatomia e riscos próprios. A região cervical exige cuidado adicional pela proximidade de estruturas vasculares. Quem sente dor no pescoço costuma investigar antes a origem da dor na coluna cervical.
Como o procedimento é feito, passo a passo
A sessão dura, em média, de trinta a sessenta minutos. O paciente fica deitado de bruços, com sedação leve e anestesia local. A agulha é posicionada sob fluoroscopia (raio-X ao vivo que guia o trajeto). O contato com o nervo é confirmado por estímulo elétrico antes de qualquer aplicação de calor.
A etapa de conferência
O estímulo sensitivo reproduz a dor conhecida do paciente e confirma o alvo. O estímulo motor verifica que nenhum nervo de força está perto da ponta da agulha. Só depois dessas duas checagens o gerador é acionado. As boas práticas de formação e credenciamento em ortopedia estão descritas pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia.
Depois da sala
A observação leva cerca de uma hora. A alta acontece no mesmo dia, com acompanhante e sem necessidade de internação. Dirigir fica liberado apenas no dia seguinte, por causa da sedação. A técnica específica está detalhada na página sobre rizotomia por radiofrequência em São Paulo.
Recuperação e por quanto tempo dura o alívio
O alívio pleno raramente é imediato. É comum haver piora nos primeiros dias, por irritação local dos tecidos. A partir da segunda semana o quadro costuma virar. O efeito estável aparece entre a terceira e a sexta semana.
Por que a dor volta depois de meses
O ramo medial se regenera. Esse processo, chamado reinervação (recrescimento do nervo), devolve a condução do sinal doloroso com o tempo. Não é falha da técnica nem sinal de piora da coluna. A revisão sobre a síndrome facetária e seu tratamento descreve a duração média entre seis e doze meses.
O que fazer nesse intervalo
A janela sem dor é a oportunidade de fortalecer, não de repousar. Fisioterapia e exercício orientado nesse período costumam prolongar o intervalo até a próxima sessão. O procedimento pode ser repetido quando o padrão de dor retorna igual ao anterior. Quem quer entender antes o impacto financeiro pode consultar quanto custa a rizotomia.
Riscos, complicações e limites da rizotomia
Os eventos mais comuns são leves e passageiros. Dor no local da punção, hematoma pequeno e sensação de queimação na pele lideram a lista. Quadros graves são raros quando a indicação e a técnica estão corretas. Ainda assim, nenhum procedimento é isento.
O que pode acontecer
- Dor local por alguns dias, controlada com medicação simples.
- Área de dormência na pele, geralmente temporária.
- Neurite pós-ablação, com ardência que cede em semanas.
- Infecção no trajeto da agulha, evento incomum e evitável com assepsia.
Os limites que ninguém deve omitir
A técnica não corrige artrose, não recupera disco degenerado e não trata compressão de raiz. Ela apaga o sinal, não a causa estrutural. Há inclusive investigação sobre o efeito da denervação facetária na espondilolistese ao longo do tempo, tema ainda em estudo. Por isso o procedimento entra como parte de um plano, nunca como solução isolada.
Quando a rizotomia não funciona: causas e conduta
A primeira pergunta diante da falha não é sobre a técnica, e sim sobre o diagnóstico. Se o bloqueio de teste tinha resposta duvidosa, a chance de insucesso já estava dada. Se o teste foi claramente positivo e o alívio não veio, revisa-se o posicionamento. Cada cenário tem conduta própria.
As três causas mais frequentes
- Dor que nunca foi facetária, como a de origem discal ou sacroilíaca.
- Cobertura incompleta do nervo, que se distribui em mais de um nível.
- Sensibilização central (sistema nervoso que amplifica o sinal de dor).
O próximo passo depois da falha
A reavaliação costuma incluir exame físico dirigido e revisão do mapa de dor. No pescoço, o consenso sobre dor facetária da coluna cervical orienta refazer o teste antes de repetir a ablação.
Quando a dor irradia e queima, a suspeita migra para o trajeto do nervo ciático. O tema é tratado em dor ciática que não passa. Insistir na mesma técnica sem rever o alvo apenas repete o resultado.
Atuação integrada no Instituto Medicina em Foco
O Dr. Pedro Correa integra a equipe do Dr. Rodrigo Barbosa no Instituto Medicina em Foco e atua na área de coluna.
Isso muda o que o paciente leva da consulta. Dor lombar que piora ao levantar da cadeira aponta faceta. Dor que desce pela perna abaixo do joelho aponta raiz nervosa.
Já a dor que melhora sentado e piora ao caminhar aponta canal estreito. Cada história leva a um exame diferente. Confundir as três é a causa mais comum de rizotomia sem alívio.
Como a equipe organiza a decisão
A avaliação inicial define a origem da dor e o que já foi tentado. Os casos duvidosos são revistos em conjunto antes de qualquer indicação de procedimento. A estrutura completa da equipe está descrita na página do corpo clínico do instituto.
Esse desenho reduz indicação precipitada e evita procedimento sem critério. Os critérios completos estão na página sobre quando o procedimento é indicado de fato.
Sobre o autor: Dr. Pedro Correa e equipe
O Dr. Pedro Correa é ortopedista, inscrito no CRM 213158, com registro de qualificação de especialista RQE 87090. A atuação é concentrada em coluna vertebral, com foco em dor crônica e procedimentos guiados por imagem. O atendimento acontece em São Paulo, dentro da estrutura do Instituto Medicina em Foco.
Critério editorial deste conteúdo
As informações desta página seguem material de sociedades de especialidade e literatura indexada, com revisão médica antes da publicação. Referências de coluna acompanham as diretrizes da Sociedade Brasileira de Coluna. Em dor crônica, o resultado vem da soma de três fatores: diagnóstico confirmado, adesão ao programa de reabilitação e acompanhamento no pós-procedimento.
O que dizem os pacientes
O que dizem os pacientes aparece na avaliação abaixo, escrita por gente real atendida pelo Dr. Pedro Correa no Doctoralia e no Google Meu Negócio. O texto descreve a experiência de atendimento, não o resultado de nenhum procedimento. Depoimento individual não é garantia de resultado clínico: cada caso de dor na coluna tem indicação própria.
Atendimento humanizado profissional com bastante propriedade impressão de especialista.— Mazzini jr. (abr/2026)
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Perguntas frequentes
O que é rizotomia?
É um procedimento minimamente invasivo que interrompe a condução da dor em nervos específicos da coluna. O alvo mais comum é o ramo medial, que inerva a articulação facetária. A interrupção pode ser feita por radiofrequência, por agente químico ou por secção cirúrgica seletiva.
Como é feita a rizotomia?
Por via percutânea, com o paciente deitado de bruços e sob sedação leve. A agulha é guiada por fluoroscopia até o nervo alvo e a posição é conferida por estímulo elétrico. A aplicação de calor dura poucos minutos por nível e a alta ocorre no mesmo dia.
A rizotomia dói?
Durante o procedimento não, porque há anestesia local e sedação. Nos primeiros dias é comum haver dor no local da punção, semelhante à de um hematoma. Esse desconforto costuma ceder com analgesia simples em menos de uma semana.
Quanto tempo dura o efeito da rizotomia?
Em geral, de seis a doze meses. O nervo tratado se regenera e volta a conduzir o sinal de dor, o que explica o retorno gradual dos sintomas. Quando o padrão de dor retorna igual ao anterior, o procedimento pode ser repetido.
Quando a rizotomia não funciona?
Quando a dor não vinha da articulação facetária ou quando o nervo tratado não cobria toda a origem. Outra causa frequente é a sensibilização central. Nesses casos, repetir a mesma técnica sem revisar o diagnóstico tende a repetir o resultado. O caminho é refazer o bloqueio de teste em outro nível.
O que é rizotomia dorsal seletiva?
É uma cirurgia aberta que secciona raízes sensitivas selecionadas para reduzir espasticidade. Ela é usada sobretudo em pacientes com paralisia cerebral, não em dor facetária. Apesar do nome parecido, o objetivo e a técnica são completamente diferentes.
Rizotomia e infiltração são a mesma coisa?
Não. A infiltração deposita medicação para reduzir inflamação e tem efeito temporário. A rizotomia interrompe a condução do nervo e busca alívio mais prolongado. Muitas vezes a infiltração de teste antecede a decisão sobre o procedimento definitivo.
Quem não pode fazer rizotomia?
Pacientes com infecção ativa no local, distúrbio de coagulação não controlado ou gestação. Também não é indicada para quem teve bloqueio de teste negativo, mesmo com artrose visível no exame. Portadores de marca-passo exigem avaliação prévia específica.
O plano de saúde cobre a rizotomia?
O procedimento consta no rol de cobertura obrigatória quando há indicação clínica dentro dos critérios previstos. A autorização depende de relatório médico com o resultado do bloqueio de teste e do laudo de imagem. O prazo de análise varia conforme a operadora.
Preciso de internação para fazer o procedimento?
Não. A rizotomia é feita em regime de day hospital, com observação de cerca de uma hora após a aplicação. O paciente vai para casa no mesmo dia, acompanhado, e retoma atividades leves em quarenta e oito horas.




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