Estou de volta com mais uma série sobre bariátrica e hoje começaremos a falar sobre a cirurgia conhecida como sleeve gástrico ou gastrectomia vertical. Muitas pessoas buscam este tipo de cirurgia, mas ela não é adequada para todos.
Vamos explorar juntos as vantagens, ganhos, riscos e as chances de reganho de peso a longo prazo. Vou explicar detalhadamente como a cirurgia é realizada para que você possa se sentir seguro e bem informado durante o processo.
Se você está em busca de cirurgia bariátrica em São Paulo, este texto é especialmente útil, já que o Instituto Medicina em Foco, localizado na capital paulista, realiza sua cirurgia bariátrica pelo convênio!
Afinal, o que é a cirurgia de sleeve gástrico?
A cirurgia sleeve gástrico é um procedimento onde removemos parte do estômago do paciente, transformando-o em uma estrutura tubular, semelhante a uma “bananinha”.
Diferente da cirurgia de bypass gástrico, o sleeve não altera o trajeto natural da alimentação pelo sistema digestivo, o que significa, portanto, que a comida continua passando pelo estômago antes de seguir para os intestinos, o que tem prós e contras, os quais veremos a seguir.
Como a cirurgia é feita?
Através de pequenas incisões na barriga, inserimos instrumentos cirúrgicos e uma câmera para guiar o procedimento. Utilizamos um grampeador cirúrgico para criar essa nova forma no estômago e, posteriormente, remover a parte excedente.
Ou seja, a cirurgia de sleeve gástrico, ou gastrectomia vertical, é um procedimento de redução do estômago com o objetivo de ajudar o paciente a comer menos e sentir-se saciado mais rapidamente, promovendo a perda de peso.
Uma das principais dúvidas que os pacientes têm é: a cirurgia bariátrica sleeve gástrico pode ser feita pelo plano de saúde? Sim! O sleeve é uma cirurgia bariátrica feita pelo plano de saúde no Instituto Medicina em Foco.
Vamos seguir falando ainda mais sobre esse tipo de cirurgia. Se você tem curiosidade em saber mais sobre o procedimento, leia mais detalhes abaixo.
Preparação e anestesia
Realizamos o sleeve gástrico sob anestesia geral, com 8 horas de jejum completo e 24 horas de dieta com líquidos claros no dia anterior à cirurgia, garantindo que o paciente esteja completamente adormecido e não sinta dor durante o procedimento.
Antes da cirurgia, é comum que o paciente passe por uma série de avaliações pré-operatórias para garantir que está apto para a cirurgia e minimizar riscos.
Muitas pessoas alegam medo da anestesia e, por isso, o Dr. Fernando Bigaton, nosso médico especialista em anestesia, preparou um texto completíssimo explicando porque a anestesia é um procedimento seguro.
Procedimento
- Inserção dos instrumentos: o médico faz pequenos “buraquinhos” no abdômen. Através das incisões, o cirurgião insere os trocartes, que permitem a passagem da câmera e dos instrumentos cirúrgicos.
- Visualização e corte: com a ajuda da câmera, o cirurgião obtém uma visão detalhada do interior do abdômen. Ele, então, corta e remove até 85% do órgão. Essa parte removida inclui a maior parte da área que produz o hormônio grelina, que é responsável pela sensação de fome.
- Formação do novo estômago: o restante do estômago é transformado em uma estrutura tubular ou na forma da manga de uma camisa (de onde vem o nome). Isso reduz significativamente a capacidade volumétrica do estômago, permitindo que o paciente se sinta saciado com uma quantidade muito menor de alimento.
- Remoção da parte ressecada: por fim, o médico remove a porção separada através das pequenas incisões. O novo estômago em forma de tubo mantém o trajeto normal dos alimentos pelo trato digestivo, preservando o duodeno e o intestino delgado.
Vantagens do sleeve gástrico
Uma das grandes vantagens do sleeve gástrico é que, ao contrário do bypass, ele não causa desabsorção significativa de nutrientes, exceto pela vitamina B12, que sofre prejuízo em alguns pacientes. Isso ocorre porque o fator intrínseco, crucial para a absorção dessa vitamina, é produzido na parte do estômago que é removida durante o sleeve.
Contudo, é importante dizer, que raramente os pacientes que realizaram sleeve sofrem com a anemia megaloblástica (a anemia da deficiência desse tipo de vitamina), e exames anuais devem ser suficientes para detectar eventuais faltas desse nutriente.
Portanto, os pacientes que realizaram sleeve gástrico têm menor risco de desnutrição e complicações nutricionais relacionadas à cirurgia, uma preocupação comum em outros tipos de cirurgia bariátrica como o bypass gástrico e SADI-S.
Além disso, costuma-se indicar a cirurgia sleeve para pacientes com Índice de Massa Corporal (IMC) mais baixos ou para aqueles com IMC extremamente alto como ponte para outra cirurgia em caso de falha no tratamento.
Ou seja, para pacientes com superobesidade, a cirurgia pode servir como uma etapa inicial para perda de peso, facilitando uma cirurgia bariátrica adicional no futuro, se necessário.
Algumas outras vantagens são:
- Redução da fome: a remoção da parte do estômago que produz grelina resulta em menos sensação de fome.
- Menos complicações nutricionais: comparada a outras cirurgias bariátricas, como o bypass gástrico e SADI-S, a gastrectomia vertical tende a ter menos complicações relacionadas a desabsorção de nutrientes.
- Qualidade de vida: muitos pacientes relatam melhorias na mobilidade, autoestima e na qualidade de vida geral.
Considerações e riscos
Apesar de suas vantagens, o sleeve gástrico não é isento de problemas. Um dos principais é a chance de reganho de peso a longo prazo. Pois, como o sleeve não altera o trajeto do alimento, a absorção dos nutrientes permanece quase intacta, o que pode resultar em um reganho maior se comparado ao bypass gástrico, por exemplo.
Além disso, o sleeve gástrico é uma cirurgia com menor potencial para tratamento de doenças relacionadas à obesidade, como, por exemplo, hipertensão e diabetes, em casos de pacientes com essas doenças o bypass gástrico costuma ser um procedimento mais bem indicado.
Ademais, outro ponto importante é que, mesmo sendo uma cirurgia metabolicamente menos invasiva, o procedimento em si não deixa de ser invasivo, como qualquer outro procedimento cirúrgico, e tem chances de complicações, as quais falaremos nos próximos episódios da série.
Quem pode fazer o sleeve gástrico?
A escolha do sleeve gástrico depende de vários fatores, incluindo o IMC do paciente, condições de saúde associadas e histórico de tentativas de perda de peso.
Geralmente, pacientes com um IMC entre 35 e 40, que não conseguem perder peso com métodos tradicionais e que têm condições de saúde associadas à obesidade, são bons candidatos para essa cirurgia.
Além disso, pacientes com superobesidade podem se beneficiar de um procedimento em duas etapas, onde realizaremos o sleeve gástrico primeiro para facilitar a perda de peso antes de uma segunda cirurgia bariátrica.
Cirurgia bariátrica pelo convênio: o sleeve é possível?
Sim, o sleeve gástrico por ser realizado pelo convênio médico, desde que respeitadas as regras da Agência Nacional de Saúde (ANS), seguindo os critérios acima descritos.
Pós-operatório e cuidados
O sucesso da cirurgia sleeve gástrico depende de uma combinação de mudanças no estilo de vida, dieta e exercício.
Por isso, é importante ter em mente que o tratamento deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar, para cuidar de todos os âmbitos da sua saúde, como um(a) nutricionista, um(a) endocrinologista e um psicólogo(a).
O pós-operatório imediato requer uma dieta líquida, seguida gradualmente por alimentos cremosos e, finalmente, por uma dieta regular, saudável e balanceada. Se você possui compulsão alimentar, pode se beneficiar de um especialista em nutrologia especializado no assunto.
Exercícios físicos regulares são essenciais para manter a perda de peso e melhorar a saúde geral, não existe saúde sem exercícios!
Pacientes também devem estar preparados para o acompanhamento médico contínuo, incluindo monitoramento de níveis de vitamina B12 e outros nutrientes essenciais. A suplementação vitamínica pode ser necessária para evitar deficiências nutricionais, mas após o segundo ano da cirurgia pode ser opcional desde que exames de sangue sejam realizados.
Ou seja, o paciente que realiza sleeve gástrico NÃO tem obrigação de usar vitaminas orais a partir do segundo ano de cirurgia, desde que não tenha alterações em seus exames de sangue seriados.
Conclusão
A cirurgia sleeve gástrico vai ajudar na perda de peso significativa e na melhoria da saúde geral de pessoas com obesidade, ele poderá ser uma cirurgia bariátrica realizada pelo seu convênio médico. No entanto, tenha em mente que ela não é uma solução mágica, pois requer compromisso com mudanças no estilo de vida e acompanhamento médico contínuo para garantir resultados duradouros.
É importante consultar um cirurgião bariátrico experiente para discutir suas opções e determinar o melhor plano de tratamento para suas necessidades individuais, além disso, você deverá contar com uma equipe multiprofisisonal experiente, como existe no Instituto Medicina em Foco.
Um grande abraço,
Dr. Rodrigo Barbosa, especialista em cirurgia bariátrica em São Paulo.
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