A cirurgia bariátrica sleeve, ou gastrectomia vertical, é uma das técnicas mais populares para a perda de peso. Ela envolve a remoção de aproximadamente 80% do estômago, criando um tubo ou “manga” estreita. Embora seja um procedimento eficaz, é fundamental entender a cirurgia bariátrica, seus riscos e complicações, para tomar uma decisão informada e saber como evitar problemas associados ao procedimento.
1. Cirurgia bariátrica riscos: sangramento
A complicação mais comum e precoce após a cirurgia sleeve é o sangramento, identificado por sinais como alteração na frequência cardíaca, vômitos com sangue e fezes escuras e bastante malcheirosas, conhecidas como melena.
No ambiente hospitalar, monitoramos a frequência cardíaca constantemente para identificar qualquer sangramento precocemente. Em casos de sangramento, o cirurgião bariátrico geralmente solicita uma tomografia com contraste para confirmar e localizar a origem do sangramento.
Na maioria dos casos, o sangramento cessa sozinho, especialmente com a interrupção de anticoagulantes. Caso necessário, pode-se realizar uma endoscopia para aplicar clipes ou adrenalina no local do sangramento.
No caso da Bariátrica Sleeve o sangramento é de mais fácil controle do que no bypass gástrico, pois o sangramento é usualmente de fácil controle, ele ocorre normalmente na nova câmera gástrica que é facilmente acessada por endoscopia, ou da abertura da gordura intestinal que também pode ser acessada de maneira fácil por laparoscopia.
Alguns cuidados podem ser importantes para pacientes testemunhas de Jeová ou mesmo que tem alterações na coagulação, como uso de colas selantes biológicas no intraoperatório e confecção de linha de reforço de sutura em toda linha de grampeamento. Portanto, sangramento não deve ser uma preocupação nesse tipo de cirurgia. Mais uma vez destacando a importância de escolher bem a sua equipe médica.
2. Má aceitação da dieta
Outra complicação que pode ocorrer logo após a cirurgia é a má aceitação da dieta precoce. Isso acontece quando líquidos ou alimentos não descem corretamente pelo estômago recém-reduzido, devido ao edema na cirurgia bariátrica sleeve. Esse refluxo pode ser bastante desconfortáve, e pode ser um sinal de que algo pode estar errado.
Uma endoscopia e um exame chamado esofagoestomago duodenograma são frequentemente necessários para avaliar o grampeamento e verificar se o estômago está muito estreito. Além disso, em casos extremos, pode ser necessário converter a cirurgia sleeve para um bypass gástrico para resolver o problema. Essa conversão pode ser feita de forma segura e é muitas vezes a melhor solução para pacientes que sofrem de refluxo severo e persistente.
3. Fístulas
A formação de fístulas é uma complicação que pode ocorrer entre o quarto e o décimo quarto dia após a cirurgia. Fístulas são vazamentos na costura do estômago, geralmente no ponto mais alto do grampeamento, onde a pressão é maior. A identificação de uma fístula envolve monitorar sinais como febre e aumento da frequência cardíaca.
O tratamento das fístulas abrange a realização de uma endoscopia terapêutica, que pode incluir a aplicação de próteses ou terapia a vácuo. Portanto, ter uma equipe médica experiente em endoscopia terapêutica é fundamental para garantir o sucesso do tratamento. A nutrição adequada e o seguimento rigoroso das orientações médicas são essenciais para a cicatrização completa da fístula.
Atualmente em nossa equipe, padronizamos a manutenção de uma área do estômago chamada ângulo de Hiss, trazendo a possibilidade inclusive de rotação de válvula anti-refluxo anterior, isso leva a preservação de área gástrica suficiente para tratar realizar grampeamento das fístulas gástricas, tornando o procedimento ainda mais seguro.
4. Cirurgia bariátrica riscos: estenose
A estenose, ou estreitamento do estômago devido à cicatrização inadequada, impede a passagem dos alimentos. Nos primeiros dias após a cirurgia, os sintomas podem indicar apenas um edema, que podemos tratar com corticoides. No entanto, se a estenose persistir, pode ser necessária a conversão para um bypass gástrico para garantir uma alimentação adequada.
Podemos comparar a estenose a uma queloide interna, e seu tratamento é essencial para evitar complicações a longo prazo. O acompanhamento regular com o cirurgião bariátrico e a realização de endoscopias periódicas são fundamentais para monitorar e tratar essa condição.
5. Cirurgia bariátrica riscos de morte
Apesar de ser um medo comum e possivelmente o maior medo de futuros pacientes da cirurgia sleeve, o risco de morte no procedimento é baixíssimo, podendo ser comparado aos riscos de uma cesária ou cirurgia de vesícula, não chegando nem à 0,3%, e muito menor em equipes treinadas e com acesso fácil a boas UTIs, equipes médicas de atendimento rápido, incluindo o cirurgião e endoscopista.
Portanto, desde que o paciente escolha um bom centro de referência com uma equipe multidisciplinar capacitada, o risco de morte é praticamente nulo
Cirurgia bariátrica riscos: conclusão
Embora a cirurgia bariátrica sleeve seja um procedimento seguro, algumas complicações podem ocorrer. No entanto, com uma equipe médica qualificada e um bom seguimento pós-operatório, a maioria dessas complicações pode ser gerenciada com sucesso.
Para mais informações e suporte especializado, consulte profissionais qualificados e certificados como os do Instituto Medicina em Foco, principalmente se você busca uma cirurgia bariátrica em São Paulo.
Um grande abraço,
Dr. Rodrigo Barbosa, cirurgião bariátrico em São Paulo.
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